A importância do ensino profissionalizante
Enviada em 20/09/2021
Edvard Munch, pintor expressionista, obra “O Grito”, retratou a angústia, o medo e a desesperança no semblante de uma personagem rodeada por uma atmosfera de profunda desolação. Para além do quadro, no Brasil, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pelo desemprego é, em muitos casos, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse panorama, a carência de ensino profissionalizante, que é favorecida pela ineficiência estatal reverbera na população, trazendo vários problemas, como a falta de mudanças sociais. Cabe-se, então, alcançar medidas efetivas de combate a essa triste realidade de desespero ilustrada pelo artista.
Em primeiro lugar, a falta de eficácia do Estado e a falta de investimentos dificulta a efetivação do ensino profissionalizante no país. Seja pela dificuldade em administrar recursos em um território de dimensões continentais, seja pela falta de interesse dos órgãos públicos em desenvolver o ensino profissionalizante, pouco se é feito para que a situação seja rompida. Sob essa óptica, é possível observar tal fato supracitado com os dados do SENAI, que apontam que, aproximadamente, apenas 1 em cada 10 alunos do ensino médio estudam nas instituições profissionalizantes. Dessa forma, a carência de medidas públicas contribuem com a falta de formação dos brasileiros.
Ademais, a falta de ensino capacitante gera na sociedade uma estratificação social mais difícil de ser superada, diminuindo as chances de ascensão econômica e iserção no mercado de trabalho. Nesse ponto de vista, o filósofo e educador brasileiro Paulo Freire, cita que “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda, indicando que para que haja progresso e desenvolvimento nacional, é preciso que ele seja buscado utilizando a educação. Nesse contexto, o ensino profissionalizante deve ser valorizado e aderido, uma vez que é uma forma de transformar a sociedade e a vida das pessoas atingidas por essa forma de ensino.
Logo, torna-se evidente que o Estado precisa tomar decisões que coíbam a situação. Para isso, é necessário que o Governo Federal, com o Ministério da Educação, destine verbas e articule a capacitação de profissionais que irão oferecer ensino profissionalizante aos alunos das escolas que ainda não possuem tal recurso, ao incluir o projeto nas Diretrizes Orçamentárias, com o intuito de mitigar a falta de incentivos e capital investido, dando oportunidade a todos os jovens de se inserirem no mercado de trabalho. Espera-se, asssim, que a desesperança e incerteza sobre o futuro retradadas pelo pintor Munch pertençam apenas ao plano artístico.