A importância do ensino profissionalizante
Enviada em 20/10/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela auxência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o ensino profissionalizante enfrenta barreiras, as quais dificultam a padronização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da negligência estatal quanto da falta de investimentos e incentivos que colaboram com um melhor aproveitamento dos envolvidos. Diante disso, torna-se fundamental a discução desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Nesse contexto, é fulcral pontuar que o problema deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Certamente, devido à falta de ação das autoridades, muitas pessoas iniciam sua vida profissional sem um curso profissionalizante, pelo fato de não terem consciência de sua importância, pois é um assunto totalmente ignorado pela maioria das escolas. Visivelmente, esse descaso quanto ao incentivo dos jovens, somado a uma grande carga horária de disciplinas escolares não fundamentais para a área de atuação escolhida pelo aluno, torna-se cada vez menor o interesse dos estudantes pelo ensino profissionalizante. Desse modo, faz-se míster a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar a falta de investimentos como promotor do problema. Partindo desse pressuposto, nota-se que muitas profissões não contam com cursos de formação profissional em sua área, o que leva a uma taxa de apenas 11% de estudantes brasileiros do ensino médio também matriculados em cursos profissionalizantes de seu interesse, segundo informações do site Portal da Indústria. Além disso, pesquisas da PUC Rio de Janeiro afirmam que um ano de educação profissional garante uma renda 18% maior, apesar disso, essa não é uma palta recorrente entre os estudantes, justamente devido ao baixo estímulo. Tudo isso retarda a resolução do empecílio, já que a falta de incentivo contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Assim, medidas são necessárias para conter o impasse. Dessarte, com o intuito de mitigar o problema, necessita-se que o Ministério da Educação promova um aumento no número de opções de cursos, bem como incentivo aos alunos do ensino médio, por meio de palestras e disciplinas extracurriculares, além de uma flexibilização das matérias obrigatórias, a fim de obter um maior número de estudantes com uma melhor preparção profissional. Dessa forma, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, os impactos nocivos dessa problemática, e a coletividade alcançará a Utopia de More.