A importância do ensino profissionalizante

Enviada em 21/10/2021

Uma das maiores consequências da Terceira Revolução Industrial, ocorrida em meados do século passado, foi a mudança de paradigma no âmbito profissional. Isso porque a expansão tecnológica revirou o mercado de trabalho e aumentou a procura por mão de obra cada vez mais especializada. No entanto, no Brasil, o desconhecimento da importância do ensino profissionalizante, direcionado à formação técnica, aliada à falta de políticas públicas focadas nesse tipo de instrução, têm retardado o desenvolvimento social e econômico do país.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a desvalorização do ensino técnico na sociedade brasileira. Isso ocorre desde o período monárquico, que atrelava o diploma universitário à ideia de estabilidade profissional, status social e retorno finananceiro, principalmente para as carreiras de engenharia, medicina e direito. De encontro a essa premissa, segundo a revista Educação, países como a Áustria, que oferece padrão elevado de qualidade de vida à toda população, apresenta nível acima de 50% dos concluintes do ensino médio como tendo uma formação técnica, contra 8% do cenário brasileiro. Portanto, tais estatísticas desmistificam a visão retrógrada que permeiam a educação nacional.

Ademais, é fundamental apontar a precariedade das ofertas de ensino profissionalizante no Brasil. Nesse contexto, ainda que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, atualizada em 2017, elenque o ensino técnico como uma opção, há uma dependa reprimida de jovens interessados nesse tipo de formação, diante do número de escolas técnicas e de professores capacitados em todo o país. Conclui-se, assim, que além de conhecer a importância desse tipo de formação, é necessário aplicar essas diretrizes estabelecidas, pois, tal como defendido por Thomas Hobbes, o Estado tem-se ausentado do seu papel em garantir ferramentas para que os cidadãos tenham condições de prosperarem.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se ampliar a oferta de cursos técnicos profissionalizantes no país. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, por intermédio das secretarias estaduais, realizar o mapeamento regional das necessidades de mão de obra especializada e, a partir desses dados, adequar as instalações físicas das escolas, contratar professores especializados e aumentar a carga horária dos alunos. Além disso, deve-se criar outras modalidades de cursos técnicos, de curta-durações, voltadas à população adulta e que sejam ofertadas de maneira presencial ou on-line. Dessa forma, o país poderá se orgulhar por estar oferecendo formação profissional adequada aos seus cidadãos.