A importância do ensino profissionalizante

Enviada em 25/10/2021

A Quarta Revolução Industrial, um processo histórico ainda em curso, está promovendo a união do mundo físico com o digital e possibilitando, assim, o desenvolvimento constante de novas tecnologias e ofícios, o que renova, também, os objetivos da formação profissional. Entretanto, a educação no Brasil, em razão da ausência de um orçamento adequado para a formulação e oferta de cursos profissionalizantes e apoio à permanência para alunos de baixa-renda, ainda não conseguiu incorporar as exigências do tempo presente e começar a preparar significativamente os jovens brasileiros, principalmente os que cursam o Ensino Médio, para o futuro. Situação essa que, inclusive, atrasa o desenvolvimento do país.

Em primeiro lugar, é oportuno salientar que, na verdade, o Brasil é históricamente marcado por desigualdades socioeconômicas que influenciam negativamente no acesso e no nível do ensino, de modo que o artigo quinto da Constituição Federal, ainda que garanta o direito fundamental à educação de qualidade para todos os brasileiros, encontra-se em vias de inaplicabilidade fática. Logo, a implementação de uma instrução profissionalizante eficaz deve considerar que alunos economicamente desfavorecidos dependem da rede pública que, por sua vez, não dispõe de uma infraestrutura adequada às novas tecnologias necessárias ao “ensino 4.0”.

Por conseguinte, uma camada da população que aproveitaria muito as possibilidades profissionais que acompanham esta modalidade educativa vê-se diante do risco concreto de restar segregada do novo mercado de trabalho. Nesse cenário, a educação perde sua importante função de veículo para a ascensão social e consequente melhora da qualidade de vida. Ademais, tal conjuntura coloca o Brasil atrás de outras nações que já ofertam uma formação profissionalizante de qualidade para a maioria de seus estudantes, como os países que fazem parte da União Europeia ou a Finlândia, conforme noticiado recentemente pelo portal eletrônico “Portal da Indústria”. Essa situação, certamente, configura-se como desagregadora e não pode ser negligenciada.

Assim sendo, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com empresas do setor privado, sobretudo aquelas que atuem na área da tecnologia, promover, por meio da construção de laboratórios de prática e outros espaços que viabilizem simulações de situações quotidianas do campo tecnológico, uma adequação infraestrutural das escolas públicas nacionais condizente com as demandas do ensino profissionalizante. Espera-se, com isso, garantir que os jovens brasileiros sejam capazes de atuar no mundo da Quarta Revolução Industrial, bem como impedir que o Brasil continue na retaguarda de outros países nesse campo.