A importância do ensino profissionalizante

Enviada em 25/10/2021

A política trabalhista do presidente Getúlio Vargas , sobretudo durante o período do Estado Novo, permitiu a criação de incentivos à profissionalização dos trabalhadores no país, com a criação de institutos e escolas técnicas. Esse mecanismo foi importante para o desenvolvimento da mão de obra industrial, que auxiliou no progresso da indústria no período. No entanto, no século XXI, o cenário getulino não tem sido mais visto na mesma proporção, haja vista o legado histórico somado à falta de investimentos atuais no setor.

Nesse sentido, é importante ressaltar, primeiramente, que, apesar das investidas varguistas, na década de trinta, o histórico-cultural de apoio ao ensino profissinalizante não foi efetivo no país. Sob esse aspecto, a historiadora Mary Del Priore, em seu livro “Histórias da Gente Brasileira - Volume III”, disserta que, o suspiro de promoção profissionalizante no estado-novista foi logo substuido por descaso, sobretudo no período após a instalação da ditadura militar no país. Dessa forma, o atual desafio na promoção do tema na sociedade é reflexo da ausência de valorização cultural sobre esse processo. Como resultado, o anuário da Organização Internacional do Trabalho (OIT), constatou que, no Brasil, há uma escassez grande de profisisonais capacitados paras as posições do mercado.

Ademais, outro fator que corrobora a problemática em questão é a ausência de investimentos no setor. Sobre essa perpectiva, Rousseau, em sua tese, disserta acerca da responsabilidade do Estado na promoção da educação como direito essencial na construção de uma sociedade justa. Entretanto, as acentuadas quedas anuais nos investimentos em educação profissionalizante, evidenciada pelos dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), em 2019, impedem a concretrização do preceito contratualista, haja vista que aqueles que não possuem condições de arcar com os custos de cursos para desenvolvimento pessoal, acabam por serem excluídos da economia trabalhista, gerando altos níveis de desemprego e pobreza.

Fica claro, portanto, que há um grande desafio para a promoção do ensino profissionalizante no Brasil. Urge, logo, que o MEC, por meio de parceria com o Tesouro Nacional, aumente os investimentos no setor e crie uma plano nacional de treinamento profissional e gratuito. Tal trilha de aprendizagem deve contar, previamente, com a análise das principais demandas de cada região do país para que, posteriormente, sejam criados cursos específicos para as diferentes necessidades regionais. Além disso, para que mais pessoas possam ter acesso aos cursos, deve-se priorizar os modelos de capacitação on-line, quando possíveis. Essas ações tem como objetivo, não só promover esse tipo de ensino , como também garantir bases para a criação de uma sociedade mais igualitária no país.