A importância do ensino profissionalizante

Enviada em 17/11/2021

Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “Teologia do Traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Seguindo a lógica barrosiana, faz-se preciso, portanto, valorizar o ensino profissionalizante, ainda que a sua importância não seja amplamente conhecida. Nesse sentido, é importante analisar a negligência estatal e a escassez de informações acerca do assunto nas escolas públicas.

A princípio, é necessário destacar como o Estado lida com a educação profissionalizadora. Isso porque, conforme afirma Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, a legislação brasileira é ineficaz, embora aparente ser completa na teoria. Prova disso, é a escassez de políticas públicas satisfatórias voltadas para o cumprimento do artigo 6º da Constituição Cidadã, que garante, entre tantos direitos, a educação. Isso é perceptível pelos poucos recursos voltados para a formação de técnicos, uma vez que as escolas públicas acessíveis para os brasileiros não são suficientemente preparadas para acolher de forma integral o aluno que deseja se profissionalizar. Tal fator é observado por meio das Tabulações do Instituto Unibanco, visto que o total de matrículas em cursos tecnólogos após a conclusão do Ensino Médio é realizada em maioria nas instituições privadas. Assim, infere-se que nem mesmo o princípio jurídico é capaz de assegurar a igualdade de ensino para todos.

Outrossim, é igualmente preciso apontar a falta de conhecimento da população jovem sobre os benefícios da profissionalização técnica. Dessa forma, é válido referenciar a obra do filósofo Platão, entitulada “Mito da Caverna”, no qual os homens acorrentados viam somente sombras na parede e acreditavam ver toda a realidade do mundo. Assim, em situação análoga à metáfora abordada, os estudantes desinformados não são capazes de enxergar as opções que existem para diversificar o currículo. Além disso, as instituições escolares negligenciam a temática do mercado de trabalho, pois estão limitadas devido ao longo processo da reforma do ensino médio, que, por sua vez, já foi instaurada há anos em países europeus e obtiveram bons resultados de avanços industriais. Sob esta ótica, é possível analisar que as poucas informações prejudicam o avanço do Brasil.

Portanto, urge ressaltar que os problemas supracitados devem ser resolucionados. Dessa maneira, é dever do Ministério da Educação, por meio de psicopedagogos, instruir os alunos das escolas brasileiras as melhores formas de se profissionalizarem, com palestras e debates acerca da temática, a fim de garantir que a população jovem adquira conhecimento sobre a qualidade do ensino profissionalizante. Espera-se, assim, que o desconhecimento citado por Platão permaneça apenas em sua obra.