A importância do ensino profissionalizante

Enviada em 19/11/2021

A Revolução Técnico-Científica, conhecida como Terceira Revolução Industrial, modificou o modelo capitalista, pois inseriu no processo produtivo a robotização e a informática, exigindo, assim, maior qualificação dos profissionais. Todavia, nota-se, contemporaneamente, que o baixo investimento do Estado brasileiro em cursos profissionalizantes diminui a possibilidade de ascensão econômica dos jovens. Tal fato se justifica porque o mercado produtivo do País tem alta demanda de profissionais qualificados, ademais, o ensino profissionalizante possibilita melhores remunerações.

Em uma primeira análise, é preciso elucidar que no Brasil, os três setores econômicos, primário, secundário e terciário, carecem de mão de obra qualificada enquanto muitos jovens, a maior parte em idade produtiva, estão desempregados por não terem qualificação profissional. Nesse contexto, percebe-se que existe demanda, por parte do mercado, e também existe oferta, por parte dos indivíduos ociosos, formando um cenário que, paradoxalmente, não se encaixa, como não deveria ser, por falta de uma política eficiente de qualificação técnica dos jovens. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 90% dos estudantes brasileiros não têm acesso a um curso profissionalizante. Logo, fica evidente que as oportunidades de ascensão econômica dos jovens, em sua maioria, são minadas pela falta de assistencialismo educacional do governo.

Outrossim, é necessário refletir sobre a degradação da renda média dos brasileiros devido à falta de qualificação que atenda ao mercado. Segundo Adam Smith, pensador notável do Liberalismo Econômico, o mercado capitalista possui autorregulação, ou seja, ele elimina os objetos inconvenientes e adiciona os que lhe convém. Analogamente à lógica liberal, o indivíduo mal instruído tecnicamente fica à margem dos setores produtivos, realizando, dessa maneira, serviços braçais, os quais, apesar de virtuosos, por exigir maior simplicidade de execução, acabam propiciando menores remunerações.

Desse modo, faz-se necessário assegurar que todos os jovens brasileiros tenham a oportunidade de se qualificarem profissionalmente. Para isso, será necessário que o Ministério da Educação - maior e mais importante instituição educacional do País-, por meio da Base Nacional Comum Curricular, adicione a obrigatoriedade da oferta de cursos técnicos juntamente com o ensino médio regular, para que, assim, o jovem brasileiro tenha maiores chances de obter um emprego que lhe oferte melhores remunerações. Feito isso, o Brasil evoluirá para uma sociedade que, semelhante à Terceira Revolução Industrial, os indivíduos tenham maior capacidade técnica e produtiva.