A importância do ensino profissionalizante
Enviada em 18/03/2022
Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista,desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às
situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Seguindo a lógica barrosiana, faz-se preciso, portanto, valorizar também a problemática da falta de ensino profissionalizante, o qual é tão importante, ainda que isso seja negligenciado por parte da sociedade. Nesse viés, a fim de mitigar os males relativos a essa temática, é vital analisar a omissão estatal e a educação brasileira.
Primordialmente, é fulcral destacar a forma como parte do Estado costuma lidar com o ensino profissionalizante no Brasil. Isso porque, como afirmou Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, a legislação brasileira é ineficaz, visto que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática. Prova disso é a escassez de políticas públicas satisfatórias voltadas para a aplicação dessa metodologia de ensino, o que acarreta a entrada de profissionais que não são qualificados no mercado de trabalho. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Outrossim, é preciso apontar a educação, nos moldes predominantes no Brasil, como outro fator que contribui para a manutenção da escassez da formação profissionalizante. Para entender tal apontamento, é justo relembrar a obra “Pedagogia da Autonomia”, do patrono da educação brasileira, Paulo Freire, na medida em que ela destaca a importância das escolas em fomentar não só o conhecimento técnico-científico, mas também habilidades extracurriculares. Sob essa ótica, pode-se afirmar que a maioria das instituições de ensino brasileiras, uma vez que são conteudistas, não contribuem para o aprendizado que será útil para o futuro e, portanto, não formam indivíduos da forma como Freire idealizou.
Portanto, depreende-se que atitudes capazes de contornar o problema são necessárias. Dessarte, o Estado, na condição de garantidor dos direitos individuais, deve promover uma mudança na Base Nacional Comum Curricular, por meio do Ministério da Educação, a fim de proporcionar aos estudantes um estudo mais conectado com as demandas contemporâneas. Assim, espera-se que a ideia de Manoel de Barros seja adotada por toda a sociedade.