A importância do ensino profissionalizante

Enviada em 29/11/2022

Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”, sustenta que ensinar não é transferir conhecimento, mas levar o aprendiz a desenvolver uma reflexão crítica sobre o trabalho e o mundo. Nesse viés, evidencia-se a importância do ensino profissionalizante em uma sociedade tão desigual como a brasileira. Logo, defende-se que os jovens se transformem em protagonistas do próprio futuro não só pelo estudo, como também por uma postura de abertura para o mundo.

Nesse sentido, segundo dados fornecidos pela Fundação Getúlio Vargas, realizar um curso técnico aumenta em 38% as chances de conseguir emprego com carteira assinada. Por conseguinte, sobretudo para famílias de baixa renda, a opção por um curso profissionalizante é uma via bastante atraente, já que facilita uma rápida inserção no mercado de trabalho e serve como instrumento para a conquista da cidadania e ainda promessa de uma possível entrada para o terceiro grau.

Outrossim, a curta duração dos cursos profissionalizantes e o acesso precoce ao ambiente laboral podem servir de estímulo para o jovem investir em qualificação técnica por meio de realização de cursos on-line, ainda durante a fase em que ainda está se capacitando. Se seguir os ditames do “Patrono da Educação Brasileira”, procurando refletir criticamente sobre sua própria atuação na empresa, o jovem tanto se tornará um profissional atento às mudanças de um mercado marcado pelo surgimento da internet das coisas e da inteligência artificial, como um cidadão ciente de seus direitos e deveres. Desse modo, em vez de engrossar a lista de desempregados, será capaz de sustentar-se e ainda auxiliar no orçamento familiar. Por isso, contribui para o progresso social, pois pode utilizar-se da educação como mola propulsora para atingir objetivos como o ensino superior.

Portanto, urge que a Escola crie convênios com a Indústria para selecionar jovens interessados em aprender ofícios técnicos. Para isso, deve-se criar uma disciplina preparatória na Escola para estimular o gosto do alunado pela profissionalização técnica. Assim, a própria Indústria selecionaria aqueles mais aptos a acessar as instituições técnicas com base no convênio. Nesse ambiente, tais jovens tornar-se-iam verdadeiros articuladores da mudança social, como sonhou Paulo Freire, ao pensar a educação como transformadora de destinos.