A importância do investimento no turismo sustentável no Brasil

Enviada em 14/12/2020

A Agenda 2030 - programa lançado pela Organização das Nações Unidas (ONU) a respeito dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) - versa sobre a necessidade do fomento socioeconômico. Nesse contexto, o turismo sustentável é de grande importância no tangente à contribuição social, haja vista promover o desenvolvimento econômico, bem como a promoção da cultura local. Em face disso, é responsabilidade do Estado a criação de mecanismos que impulsionem o ecoturismo, a fim de cumprir uma das premissas da Agenda 2030.

A princípio, convém ressaltar a urgência de dissociar o crescimento econômico da degradação ambiental. Nesse sentido, o sociólogo Anthony Giddens, por meio do “Paradoxo de Giddens”, afirma que os perigos causados pela degradação ambiental não são visíveis de imediato e, por conseguinte, as ações econômicas não acompanham a preservação do meio ambiente. Entretanto, tal paradoxo deve ser superado, uma vez que o uso consciente do meio possibilita a regeneração da natureza e a continuição da própria atividade econômica. Logo, o turismo sustentável deve ser desenvolvido no Brasil não só para promover a manutenção das belezas naturais, como também gerar empregos para as presentes e futuras gerações.

Outrossim, verifica-se que o ecoturismo permite a valorização de culturas tradicionais. Nessa lógica, a Constituiçao Federal, no artigo 23º, prevê duas competências da União: a proteção do meio ambiente e dos bens de valor cultural. Todavia, a destruição de áreas como a Amazônia e o Pantanal, impulsionada por interesses somente econômicos, aniquila a natureza e a cultura heterogêna do país. Com efeito, turismo sustentável deve ser aplicado com o fito de perpetuar o conhecimento das populações tradicionais, expresso no modo de vida que é intrínseco ao meio. Desse modo, os direitos previstos pela Carta Magna serão garantidos, permitindo que as populações indígenas, ribeirinhas e sertanejas realizem atividades econômicas, preservem o meio ambiente e suas culturas.

Dessa maneira, estratégias devem ser criadas para alinhar o crescimento econômico com turismo sustentável. Convém, portanto, que o Ministério do Turismo, instância máxima da administração do turismo auto-sustentável do país, incentive e divulgue boas práticas que alinhem viagens a locais ameaçados por ações econômicas exploratórias e o ecoturismo. Isso pode ser feito mediante parcerias com influenciadores digitais que divulgariam em suas redes sociais pontos turísticos do Brasil, para que ocorra a geração de empregos do setor de turismo em locais pouco visitados e, em decorrência disso, a preservação da natureza e da cultura. Assim, a Agenda 2030 será cumprida e a Constituição Federal será seguida na prática.