A importância do investimento no turismo sustentável no Brasil
Enviada em 15/12/2020
Uma velha índia da etnia “Cree”, chamada de Olhos de Fogo, profetizou há mais de 200 anos: “Um dia a Terra vai adoecer. Os pássaros cairão do céu, os mares vão escurecer e os peixes aparecerão mortos nas correntezas dos rios…” A profecia anunciada por Olhos de Fogo se realizou parcialmente no Brasil, por conta do turismo predatório. A natureza inesgotável mostrou-se um mito. Assim, faz-se imperativo investir em um modelo de turismo sustentável, que garanta a integridade do patrimônio natural e cultural do país, preservado para as gerações atuais e futuras.
Inicialmente, é preciso conscientizar-se das graves consequências do turismo predatório. Observe-se o epísódio de toneladas de peixes mortos no rio Araguaia, por conta da poluição, em 2020. Ou, ainda, em 2018, o trágico incêndio do Museu Nacional. Esses eventos, em locais turísticos, denunciam a negligência com a proteção do patrimônio natural e cultural. Fatos que tão graves quanto a profecia da índia Cree, apenas mais críticos.
Por outro lado, acrescenta-se ao descaso do governo, o da população. O sociólogo Pierre Bourdieu (Teoria do Habitus), registra que a sociedade tende a naturalizar e reproduzir as estruturas sociais. Dessa forma, a população deseducada, em vez de atuar no cuidado com o patrimônio público, polui, vandaliza e depreda. Além disso, incorpora a ideia de que esse cuidado é responsabilidade, exclusiva, dos governantes.
Por tudo isso, urge romper essa realidade, a partir de um amplo projeto de educação. Isso envolve a alocação de verba da LOA (Lei Orçamentária Anual) junto ao Ministério da Educação, para elaborar novos currículos, ao amparo da atual LDB (Leis de Diretrizes e Bases da Educação), orientados aos quatro níveis de ensino, com a temática “Preservação do Patrimônio Ético, Estético, Cultural e Ambiental do Brasil”, voltada para o princípio da cidadania crítica. Dessa forma, esses novos cidadãos, educados, deverão estimular a atitude de múltiplos sujeitos: individuais, coletivos, institucionais e empresariais, exigindo a formulação de políticas de preservação, dando lugar, exclusivamente, a modelos de turismo que sejam sustentáveis.