A importância do investimento no turismo sustentável no Brasil
Enviada em 20/12/2020
O governo de Singapura transformou as principais cidades do país em um paraíso verdejante, com a presença de parques arbóreos e sistemas de captação de água, o governo permitiu o turismo funcionar em comunhão com a natureza e com a sociedade. Tristemente, o mesmo não acontece no Brasil, onde a desvalorização do turismo sustentável é uma realidade. Nesse contexto, a perpetuação desse cenário reflete um quadro desafiador para a nação verde-amarela, cuja raíz desse problema encontra-se atrelada à ineficiência estatal e ao capitalismo exacerbado.
Mormente, a inexistência do ecoturismo está atrelada à inércia do Poder Público frente a esse tópico. Nesse sentido, dados revelados em 2015 pela Agência Sanitária do Rio de Janeiro indicam que cerca de 45% da praia de Copacabana está poluida. Ou seja, um dos principais pontos de apreciação turística está comprometida devido à ineficiência estatal, uma vez que aparato público pouco se preocupa em manter os locais limpos para manter a homeostase ambiental. Isso fere a Carta Magna de 1988, pois nela está escrito que é dever do Estado manter o ambiente ecologicamente equilibrado. Infelizmente, enquanto isso não acontecer, será impossível conciliar sustentabilidade e turismo.
Outrossim, o capitalismo é outro fator que impede a existência de um turismo mais sustentável. Nessa lógica, é válido citar Karl Marx, sociólogo alemão, o qual afirma que na lógica de produção capitalista, ignoram-se as consequências e prioriza-se o lucro, o que é uma prática evidente nas empresas de turismo, inclusive, no Brasil. Dessa maneira, parte das agências de viagem e turismo promovem práticas agressivas, as quais prejudicam a fauna e a flora local, a fim de que possam maximizar a receita e lucrar cada vez mais. A exemplo disso, não é incomum encontrar parques e zoológicos com animais em risco de extinção, mas que são usados como forma de entretenimento para viajantes e visitantes, como o Parque de Zootecnia do Grão-Pará, o qual já foi multado incontáveis vezes pelo IBAMA e, de acordo com o Portal G1, será fechado em 2020 pelos motivos supracitados.
Urge, portanto, uma solução definitiva para esse problema. Para isso, é necessário que o Ministério Público Federal denuncie agentes públicos ineficazes, por meio de um processo, o qual deve ser encaminhado ao Poder Executivo e deverá ser elaborado por procuradores e desembargadores, com a finalidade de demitir funcionários inertes do Estado para que possa deixá-lo funcional, permitindo que áreas ecologicamente poluidas sejam limpas, o que permitirá a existência do turismo sustentável. Além disso, o Ministério da Justiça deve multar empresas de turismo que notadamente abusam do ecossistema para lucrar, a fim de que possa ser atenuado a exploração capitalista nesse meio. Assim, poder-se-á ir a favor de uma prática turística mais equilibrada no Brasil, análoga a de Singapura.