A importância do investimento no turismo sustentável no Brasil
Enviada em 25/12/2020
Na carta que enviou ao rei de Portugal, Pero Vaz de Caminha, responsável por analisar as terras outrora encontradas, descreveu o Brasil como um local dotado de belas paisagens naturais. Apesar desse rico patrimônio ecológico, o país nunca foi destaque quando o assunto é ecoturismo, isto é, turismo alicerçado em relações sustentáveis para com a natureza. Isso é fruto da “fetichização” e da falta de infraestrutura. Dessa forma, faz-se necessária a análise de tais barreiras a fim de traçar soluções praticáveis.
Nessa perspectiva, é indubitável que a busca por luxo, e não por verdadeiros momentos de diversão e de contato com o meio ambiente, é um dos dificultadores do ecoturismo brasileiro. Acerca disso, o pensador Karl Marx aponta que, principalmente após a Revolução Industrial, o homem passou a perqui-rir aquilo que a sociedade considerasse como bom (o fetiche), independentemente das individualidades. Assim, o cidadão, muitas das vezes, nem pensa em pesquisar lugares em que exista o turismo ecológi-co, como a Serra da Capivara. Em vez disso, programa seu roteiro de viagem para os locais mais pro-curados - locais esses com os hotéis mais luxuosos e com as festas mais badaladas. Logo, nota-se, infelizmente, que muitas pessoas preferem viajar para os destinos cujas fotos garantirão mais curtidas nas redes sociais em detrimento do turismo que assegure maior contato com a fauna e com a flora.
Ademais, é notória, a nível nacional, a falta de estrutura física e a escassez de pessoal capacitado cujo objetivo seja atender às demandas do ecoturismo. Para que esse ramo turístico pudesse se desenvolver plenamente, seria necessária toda uma rede preparada para receber e orientar os turistas, com guias especializados e placas sinalizadoras. Entretanto, tal organização não se dá em todo Brasil, mas sim de forma isolada nas regiões mais conhecidas pelo patrimônio ecológico, como a Chapada dos Veadeiros. Já pontos interioranos - como a Cachoeira do Salitre -, desconhecidos pela grande massa, têm sua importância secundarizada, fato que configura um grave problema social que dificulta ainda mais o crescimento do turismo sustentável.
Portanto, medidas são necessárias para amenizar o percalço. Dessarte, o Governo Federal, por meio de parcerias com as Prefeituras Municipais, deve criar a CDEB (Comissão de Desenvolvimento do Eco-turismo no Brasil). Essa instituição, com o fito de fazer com que o turismo se desenvolva baseado em premissas sustentáveis, atuará em duas grandes frentes. A primeira será a da disseminação de campa-nhas publicitárias, divulgadas nas mídias digitais - como “Instagram” e “Facebook” -, que desestimulem as viagens apenas para locais luxuosos. A segunda será a da formação de guias por intermédio de cur-sos profissionalizantes. Dessa maneira, a descrição feita por Pero Vaz de Caminha fará sentido.