A importância do investimento no turismo sustentável no Brasil

Enviada em 28/12/2020

“Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá, as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá”. Esse trecho integra o famoso poema “Canção do Exílio”, o qual respalda acerca da exuberância natural do Brasil pelos olhos de Gonçalves Dias, em 1846. No entanto, mais de 170 anos depois, observa-se que não é destinada a devida importância à valorização da natureza do país, já que atividades como o turismo sustentável não recebem os investimentos convenientes. Nesse contexto, apresentam-se como catalisadores dessa realidade não só a organização social, mas também a negligência estatal.

Primeiramente, é importante atentar-se à organização histórica da sociedade. Nesse sentido, é válido destacar que desde a chegada dos europeus, no início dos anos 1500, as terras tupiniquins serviram como colônia de exploração à metrópole, na busca de madeira, metais e especiarias. Por essa ótica, é possível alegar que historicamente as florestas brasileiras são palco de grande extorsão dada a sua magnitude e magnificência. À luz desse panorama, o desenvolvimento de atividades diferenciadas, como o ecoturismo, é secundarizado e, muitas vezes banalizado, haja vista que o ideário exploratório está intrínseco ao brasileiro desde os primórdios. Tal fato, além de lastimoso, revela que a excessiva exploração dos recursos naturais além de privar o país de se destacar em atividades ecológica e economicamente viáveis, coloca em xeque a fauna e flora outrora consideradas ilimitadas.

Em segunda análise, é válido pontuar a displicência estatal como um dificultador do incentivo ao turismo sustentável. Sob essa perspectiva, mesmo que a Constituição Federal prevê a preservação do meio ambiente de modo a garantir a autonomia das gerações futuras, percebe-se que essa premissa não é efetivada. A principal razão para ponderar tal argumento é que, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), das mais de 2000 praias brasileiras, apenas 18 possuem o selo ecológico Bandeira Azul, o qual as qualifica como sustentáveis. Logo, ao averiguar tal conjuntura fica evidente que o Poder Público não cumpre seu papel enquanto agente fornecedor dos direitos básicos à população, uma vez que ao não investir na proteção e na manutenção dos bens naturais que o país dispõe, propicia a permanência dos direitos previstos por lei somente no papel.

Por fim, é necessário alçar medidas para promover essa atividade. Por isso, o Ministério do Turismo, deve coletar recursos por meio da isenção fiscal de empresas privadas que investirem em turismo sustentável, para a operação de um projeto como o Bandeira Azul. Esse projeto deve contar com uma comissão formada por ambientalistas e biólogos a fim de projetar e desenvolver o ecoturismo sem comprometer o meio natural. Com isso, em um futuro próximo, será possível realizar uma aspiração de Gonçalves Dias e proporcionar o devido valor à natureza e à sustentabilidade.