A importância do investimento no turismo sustentável no Brasil

Enviada em 14/01/2021

“O pior mal é aquele visto como cotidiano”. A máxima da filósofa alemã Hannah Arendt aponta, de acordo com seus estudos, a indiferença da sociedade frente a certas questões. Nesse contexto, destaca-se a falta de investimento no turismo sustentável, que, hodiernamente, tem o potencial de gerar renda para o estado e também para a população. Esse é um problema que está diretamente relacionado com a realidade do Brasil, seja pela negligencia estatal, seja pela indiferença social.

A princípio, é incontestável que a inoperância governamental esteja entre as causas do problema. Inegavelmente, poucas são as políticas públicas que incentivam o turismo sustentável no país que ainda possui destinos caros e fora da realidade da maioria da população, como Fernando de Noronha e Bonito. Nesse prisma, de acordo com o filósofo John Locke ocorre uma quebra do “contrato social” já que o Estado não cumpre sua função constitucional de promover o desenvolvimento pleno do país. Decerto, isso se revela na reportagem publicada pelo jornal G1, em 2019, que diz que o perfil do turista que visita Noronha é de classe média alta. Essa informação demonstra que o acesso ao ecoturismo ainda é para poucos e que os esforços do governo ainda são insuficientes para reverter o problema.       Outrossim, destaca-se a cultura da ignorância perpetuada por parte da sociedade, que, muitas vezes, devido ao senso comum, não entende os benefícios do turismo sustentável e acabam por não buscar opções de lazer mais ecológicas. Isso está de acordo com o pensamento de A. Schopenhauer de que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Tal fato pode ser observado na pesquisa publicada pelo Ministério do Turismo, em 2018, que diz que apenas 19% dos turistas que visitam o Brasil optam por realizar passeios sustentáveis. Essa baixa demanda reflete o desinteresse da população que por falta de informação não usufrui do turismo ecológico.

Diante desse cenário, é mister que o Senado Federal promova o acesso igualitário ao Ecoturismo para a população, por meio da criação de uma lei que garanta verba para os projetos das prefeituras de cidades que promoverem o turismo biodiverso, a fim de popularizar essa prática, sendo isso necessário para impulsionar a sustentabilidade no Brasil. Além disso, palestras devem ser realizadas, a fim de educar a população sobre a importância de apoiar o turismo ecológico, para que, gradativamente, esse imbróglio deixe de ser indiferente para a sociedade conforme o pensamento de Hannah Arendt.