A importância do investimento no turismo sustentável no Brasil
Enviada em 03/02/2021
Um indivíduo em desespero, ao passo que, em seu entorno, personagens mostram-se apáticos a esse sofrimento. É isso o que se observa no quadro “O grito”, do pintor Edvard Munch. Contudo, essa indiferença frente às adversidades alheias não se limita à obra expressionista, já que, na realidade brasileira, as vítimas da falta do turismo sustentável têm sido negligenciadas por determinados setores da sociedade. Nesse prisma, cabe analisar a ausência de incentivo às economias locais e o baixo investimento estatal em espaços ecológicos.
De início, pontua-se que o Poder Público tem se mostrado omisso ao não promover o turismo sustentável. Isso porque existe uma deficiência no processo de conscientização, uma vez que faltam campanhas que estimulem o consumo de serviços e produtos locais frente aos industrializados, o que compromete a redução da pegada ecológica e a inclusão das comunidades nas atividades turísticas, prejudicando, consequentemente, o desenvolvimento da região de forma não predatória. Vê-se, então, que o Estado não tem assegurado o bem-estar de toda a coletividade, demonstrando um desrespeito aos princípios previstos na Carta Magna de 1988.
Ademais, convém ressaltar que a falta do turismo sustentável arquiteta-se como expressão da inação social. Confirma-se isso por meio da omissão de expressiva parcela populacional diante do baixo investimento estatal na construção de parques ecológicos, já que considera a inércia preferível a se mobilizar e pressionar o governo por mudanças, o que dificulta o contato consciente entre a população e a natureza, prejudicando, por conseguinte, o fomento à preservação e à educação ambiental. Constata-se, assim, que essa problemática corrobora os estudos dos filósofos Félix Guattari e Gilles Deleuze, os quais afirmam que a coletividade produz corpos dóceis, com o intuito de torná-los apáticos, compactuando, dessa forma, com a manutenção da realidade existente.
Infere-se, portanto, que o turismo sustentável deve ser alcançado. Logo, é preciso que o Estado, por meio de campanhas educativas que abordem a necessidade de reduzir a pegada ecológica, estimule o consumo de produtos e serviços locais, a fim de incentivar a inclusão das comunidades nas atividades turísticas e promover, desse modo, o desenvolvimento sustentável da região. Além disso, organizações não governamentais devem, por meio de palestras e debates em espaços públicos, sensibilizar a população sobre a importância de não se manter inerte diante dessa problemática, potencializando, com isso, a mobilização coletiva em prol de verbas estatais para a criação de parques ecológicos com espécies da fauna e da flora, com o objetivo de promover o contato entre as pessoas e a natureza, utilizando, assim, o turismo como uma ferramenta de educação e preservação ambiental.