A importância do investimento no turismo sustentável no Brasil

Enviada em 26/03/2021

“Acredito na resistência do mesmo modo que acredito que não pode haver sombra a menos que também haja luz.” Nesse trecho, escrito por Margaret Atwood em sua obra “O conto da Aia”, nota-se que, perante os problemas sociais, tomar uma postura de enfrentamento demonstra ser algo intrinsecamente natural. Pode-se levar esse posicionamento resiliente como elemento norteador para as discussões sobre a falta de investimento no turismo sustentável no Brasil, já que, diante deste entrave, resistir é fundamental. Nessa perspectiva, é interessante analisar essa questão no país.

Inicialmente, observa-se que o Poder Público apresenta-se inerte ao permitir essa falta de investimento. Isso porque existe uma falha no processo de conscientização, uma vez que falta alertar a população sobre importância de se estimular a preservação da fauna e flora dos locais turísticos, o que prejudica a segurança de espécies endêmicas, por exemplo, e, por conseguinte, a consolidação do direito a um meio ambiente equilibrado. Logo, verifica-se que o Estado não tem garantido o bem-estar de toda a população, demonstrando, desse modo, a ruptura do contrato social teorizado pelo filósofo Jean-Jacques Rousseau.

Além disso, enfatiza-se que essa falta de investimento no turismo sustentável é um reflexo dos estereótipos que existem na sociedade. Sabe-se, pois, que a elaboração de uma legislação que reduz os impostos para as empresas que insentivam a sustentabilidade no turismo regional, por exemplo, tem sido marginalizada, o que se explica a partir da crença, transmitida culturalmente, de que seria um ato de teor social irrelevante, desconsiderando, porém, que essa atitude fomenta a economia local por meio de incentivos monetários. Para compreender esse cenário, pode-se tomar como base os estudos do filósofo Friedrich Nietzsche, os quais constatam que a escassez de informações pode deturpar a realidade.

Ressalta-se, em suma, que a falta de investimento no turismo sustentável deve ser superada. Portanto, é necessário exigir do governo, mediante debates em audiências públicas, a conscientização popular, priorizando projetos educativos com especialistas da área ambiental, com o objetivo de garantir a segurança da biodiversidade desse ponto turístico. Ademais, é fundametal sensibilizar a população, via campanhas midiáticas produzidas por ONGs, sobre a importância de se reconhecer as ideologias preconceituosas existentes acerca da diminuição de impostos para empresa que financiam a sustentabilidade local, potencializando, assim, a desconstrução da visão limitada de que isso não contribui para a economia desse grupo. Dessa forma, a resistência apresentada por Margaret Atwood não ficaria restrita à obra.