A importância do investimento no turismo sustentável no Brasil

Enviada em 04/09/2021

A obra “Utopia”, de Thomas More, retrata uma sociedade ideal, ausente de quaisquer problemáticas sociais, a partir de uma comparação com a sua precária realidade inglesa do século XVII. Analogamente, o contexto brasileiro hodierno é semelhante ao precário de More, pois o turismo sustentável ainda não é latente, visto que a omissão estatal e a precariedade escolar são fatores potencializadores. Torna-se urgente, portanto, a criação de medidas as quais visem à mitigação desses fatores.

É de crucial importância analisar a ideia da filósofa Hannah Arendt, no livro “Eichmann em Jerusalém”, a qual diz respeito ao processo de naturalização de problemáticas e sua consequente banalização. Dessa maneira, o contexto da naturalização da mentalidade capitalista na sociedade, voltada somente ao lucro, relaciona-se com a ideia de Hannah. Nesse sentido, tendo em vista a propagação da mentalidade predatória no âmbito político, o Estado, ao não promover projetos públicos voltados ao desenvolvimento sustentável do turismo, como investimentos em campanhas atrativas, aliadas à rígida fiscalização sobre as  práticas que degradam o meio ambiente, evidencia a omissão dele. Ocorre que essa postura estatal permite a banalização da problemática, por haver a impunidade dos que desviam da conduta adequada acerca do meio ambiente e não estimular o turismo.

Outrossim, convém ressaltar o pedagogo Paulo Freire que, na obra “Pedagogia do oprimido”, dissertava sobre a arcaicidade escolar, o que tornam os jovens despreparados para o mundo. Desse modo, essa precariedade mostra-se na predominância de métodos voltados ao ingresso nas faculdades em detrimento do ensino de valores, como a educação ambiental. Nesse viés, a arcaicidade em questão impossibilita a sustentabilidade do turismo, na medida em que os jovens são formados ausentes de estímulos para praticarem ações, mínimas que sejam, pró-ambientais, a exemplo do descarte adequado do lixo nos destinos de suas viagens. Tais ações, quando praticadas em grandes volumes, são fundamentais para reduzir os impactos advindos da falta de investimento educacional, a qual acarreta, sobretudo, a degradação do ambiente e a manutenção da ausência de turismo sustentável,

Urge, por conseguinte, a atuação das escolas para promoverem projetos socioambientais, por intermédio de debates e palestras em horários de aula, os quais seriam mediados por profissionais especializados na área ambiental e na do turismo. Esses projetos iriam enfatizar não só o estímulo aos jovens de práticas adequadas em relação ao meio ambiente e as consequências de não praticá-las, mas também a crucialidade de conciliar tais práticas com o turismo. Destarte, teriam o fito de reduzir os impactos negativos citados e proporcionar o aumento gradativo da sustentabilidade em questão.