A importância do investimento no turismo sustentável no Brasil
Enviada em 08/07/2021
A Constituição Cidadã - promulgada em 1988 - garante, no artigo 225, que todos os indivíduos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Todavia, a lei fundamental e suprema do Brasil, na prática, não consegue ser efetiva, sobretudo em áreas em que o investimento no turismo sustentável é precário. Com efeito, a destruição da paisagem e a perda da qualidade de vida são graves consequências que a realidade supracitada proporciona à sociedade.
Diante desse cenário, Gilberto Freyre - autor da obra “Casa-Grande e Senzala” - descreve a gênese do Brasil, que desde 1500, sofreu forte exploração, tanto social quanto ambiental, e se cristalizou, com o tempo, a naturalização de ter seus recursos tomados. De maneira análoga, a mentalidade exposta por Freyre se mostra imperativa na contemporaneidade e se manifesta na ausência de investimentos no turismo ecológico, na medida em que os cidadãos atuam como “colônia” e o seu conformismo histórico atua como “metrópole”, uma vez que os indivíduos se habituaram a “abrir mão” da preservação de suas riquezas para as forças atuantes do meio: ora os portugueses, ora os desejos lucrativos. Assim, enquanto o brasileiro não superar a herança colonizadora do século XVI, permanecerá escravo do seu passado e, consequentemente, destruirá a sua maior beleza: os pontos turísticos.
Ademais, as regiões que mais atraem turistas apresentam, em geral, uma falsa sensação de desenvolvimento, haja vista que, conforme o IBGE, são dotadas de baixas taxas de IDH, a exemplo da cidade de Melgaço, no Pará, que representa um grande atrativo paisagístico, entretanto possui o pior índice de desenvolvimento do Brasil. Nessa ótica, ocorre que o turismo, em cidades semelhantes ao município paraense, camufla os problemas sociais, já que o capital e os benefícios das redondezas são destinados a um único ponto no mapa. Dessa forma, a falta de projetos sustentáveis parece não afetar essas regiões, porém todo o lixo e a poluição gerada são redirecionados para as cidades vizinhas. Logo, não é razoável que, embora apresente o artigo 225 na Constituição Federal, o Brasil insista em negar investimentos ecológicos em zonas turísticas.
Para que a sustentabilidade, portanto, torna-se a realidade da sociedade brasileira, o Estado deve abandonar o conformismo histórico a respeito de ter sido uma colônia de exploração e agir de forma ativa na proteção de sua paisagem, por meio de projetos pedagógicos, como oficinas e palestras, que incentivem o debate de melhorias ambientais - como a implementação de sacolas biodegradáveis em diversos pontos da cidade. Essa iniciativa, em conjunto com parcerias ecológicas entre os municípios brasileiros, poderia se chamar “Brasil Verde” e teria a finalidade de erradicar com a falta de investimentos no turismo sustentável, de sorte que a poluição de ser, em breve, uma realidade social.