A importância do investimento no turismo sustentável no Brasil

Enviada em 25/10/2021

Na música de Seu Jorge, “Brasis”, o compositor ressalta as antíteses brasileiras expondo: “tem um Brasil que é próspero, outro que não muda; tem o Brasil que investe, outro que suga”. Traçando um paralelo com a realidade nacional, verifica-se a existência de muitas potencialidades que são pouco ou indevidamente usufruídas, como ocorre com o setor turístico. Seguindo essa lógica, verifica-se o baixo investimento em tal área para desenvolver a atividade de forma sustentável, haja vista o país possuir uma vasta e importante riqueza natural que requer resguardo. Decerto, é necessário analisar as razões pelas quais o turismo brasileiro deve receber investimentos, por beneficiar a economia e a sociedade.

Sob esse viés, é imprescindível ressaltar que desenvolver atividades de lazer, respeitando o meio ambiente, atraem mais turistas e incrementam a circulação financeira. Corroborando essa tendência, adotada pelas grandes economias globais, em 1987, o Relatório Brundtland, estipulou os elementos do “Tripé da Sustentabilidade”: social, ambiental e econômico. Desde então, vem se tornando prioridade aos governos mundiais criar meios para a geração de lucros, preservando os recursos naturais e promovendo a justiça social. Nesse viés, o turismo, quando sustentável, é capaz de gerar empregos, diversificar a renda das populações locais, como as “mulheres rendeiras”, no litoral do nordeste, que unem a produção, venda e valorização artesanal como atração turística. Assim, é crescente a tendência, para escolher um destino de visitação, a credibilidade e segurança de cada local.

Ademais, é oportuno apontar que investir na sustentabilidade do turismo brasileiro é também investir em uma sociedade mais instruída, que valoriza o seu patrimônio natural e cultural. Segundo o sociólogo Anthony Giddens, a ideia de cidadania alcançou um novo estágio: o ecológico. Nessa perspectiva, é inviável a manutenção do setor turístico que não se preocupe em ser “ecologicamente correto”, isto é, pressionar o meio ambiente acima de sua capacidade, não levando em consideração a produção de lixo, volume populacional e impactos antrópicos, apenas “sugando” como diz a canção de Seu Jorge. Dessa forma, cidadãos conscientes contribuem para tornar os locais aptos aos turistas.

Portanto, é inviável que as atividades turísticas brasileiras não sigam e desenvolvam os preceitos sustentáveis. Para isso ser possível, o Ministério do Turismo e Ministério da Educação devem elaborar um plano de conscientização - dos deveres com a manutenção da natureza e do patrimônio cultural nacional - dos cidadãos, especialmente a partir da educação básica. Esse plano se dará por meio de excursões - financiadas pelo poder público e de modo periódico - a locais onde o turismo é desempenhado. Tal ação tem a finalidade de ensinar, inserir e tornar o estudante um agente de promoção e manutenção de um turismo correto. Assim, o turismo será um setor próspero e exemplar.