A importância do investimento no turismo sustentável no Brasil
Enviada em 05/09/2021
Em “Ensaio sobre a Cegueira”, o escritor português José Saramago desenvolve uma narrativa trágica centrada na crítica ao estado de irreflexão da sociedade pós-moderna, por intermédio de uma epifânica cegueira que acomete os indivíduos do meio social. Ao considerar tal sintoma para fundamentar a discussão sobre o turismo sustentável no Brasil, vê-se que o corpo social hodierno desenvolveu uma cegueira moral ao negligenciar a importância de incentivar essa ação. Nesse sentido, cabe analisar de que forma a valorização da cultura e do meio ambiente é importante, bem como esclarecer a necessidade de educação sustentável no país.
A priori, é preciso reconhecer que, para satisfazer as necessidades do presente sem comprometer as gerações futuras, é necessário um turismo sustentável. Nessa perspactiva, atesta-se a percepção de Saramago, na medida em que a sociedade desenvolveu uma cegueira moral ao não refletir sobre a importância de valorizar esse turismo. Há evidentemente, a partir dessa não valorização, o descaso de parte da população com as questões ambientais, como descarte adequado de resíduos, e sociais, como a preservação da cultura local. Dessa forma, vê-se a necessidade de um maior incentivo e um maior investimento dessa prática, visando à responsabilidade sustentável.
Outrossim, é válido ressaltar que, no Brasil, a educação sustentável, que é fundamental para o incentivo desse turismo, não é devidamente implementada nas escolas. Sob essa ótica, ganha voz a percepção do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, na obra “O mal estar da pós-modernidade”, ao discorrer sobre as chamadas “instituições zumbis”, organismos sociais que, embora importantes, perderam, com o tempo, a forma. À luz dessa ideia, torna-se notório que o Estado tornou-se uma instituição zumbi, visto que não investiu de forma eficaz em educação sustentável para formar crianças e adolescentes conscientes acerca de atitudes econômicas, sociais e ambientais para o convívio social . Logo, vê-se que, sem a orientação necessária, há a persistência de um turismo não responsável.
Diante disso, é preciso concentrar esforços em solucionar esse impasse. Inicialmente, cabe ao Governo Federal a tarefa de popularizar campanhas de incentivo a esse tipo de turismo, por meio de exibição em TV, rádios e, principalmente, redes sociais, com o objetivo de garantir uma ampla responsabilidade sustentável. De modo complementar, o Ministério da Educação, órgão responsável pela formação dos cidadãos, deve investir em educação sustentável em todo o território nacional, a partir de seminários, palestras e rodas de conversas com profissionais especializados, visando formar cidadãos com consciência sustentável. Espera-se que, com ações desse tipo, finde-se a cegueira da razão no Brasil.