A importância do investimento no turismo sustentável no Brasil

Enviada em 15/11/2021

A obra “O cidadão de papel”, do jornalista Gilberto Dimenstein, avalia que os direitos dos brasileiros restringem-se à forma da lei, o que promove cidadanias fictícias. Nesse sentido, ainda que a sustentabilidade seja um pilar constitucional, a pouca importância dada ao investimento no turismo sustentável no Brasil revela-se um problema atual que - seja fruto de um Estado inerte, seja fruto de um alheamento social - gera ilegalidades socioambientais e, portanto, evidencia a crítica de Dimenstein.

Sob esse viés, é crível culpabilizar o poder público quanto à desimportância dada ao fomento do se-tor turístico sustentável brasileiro. Tal premissa justifica-se porque, segundo o filósofo Jean-Jacques Rousseau, uma vez que o Estado isenta-se de garantir os direitos dos cidadãos, há um descumprimento do contrato social firmado junto à sociedade. Com essa visão, o desamparo  governamental em atender as demandas da nação, como instituir políticas públicas que promovam sistemas de circulação de pes-soas dentro do Brasil que respeitem o meio ambiente, não só evidencia falsas cidadanias, mas também transgride um contrato celebrado - entre o governo e o povo - pela Constituição federal de 1988: o desenvolvimento nacional sustentável. Logo, é imprescindível construir um Estado atuante.

Ademais, o alheamento social brasileiro também propicia um cenário de desfavorecimento da importância dada aos investimentos do turismo sustentável. Por exemplo, isso ocorre quando os indivíduos (do lado predador) escolhem seus itinerários turísticos com base somente no custo, dando pouca ou quase nenhuma  importância aos impactos gerados ao meio ambiente e às pessoas na rota turística. Nesse aspecto, essa ilustração apresenta consequências semelhantes às da teoria “banalidade do mal”, da filósofa judia Hanna Arendt, em que a acriticidade das pessoas traduz-se em diversas mazelas sociais, assim como, nesse caso, na institucionalização da degradação e empobrecimento dos recursos naturais, animais e até humanos que estão do lado predado. Dessa forma, é imperioso combater essa mentalidade social alienada.

Portanto, diante desse cenário que desvaloriza e não fomenta o turismo que permaneça para as ge-rações futuras, mudanças são necessárias. Para tanto, o Ministério da Educação - órgão responsável pelo desenvolvimento educacional no Brasil - deve, por meio de recursos federais, criar uma nova dis-ciplina escolar, chamada ‘Conexão ambiental’, que terá por finalidade promover discussões e propostas de intervenção, entre os alunos do ensino fundamental e médio, sobre a importância de se integrar o desenvolvimento às práticas sustentáveis, em especial a uma economia que tanto depende do meio ambiente como o turismo. Assim, espera-se que uma nova geração cresça mais crítica e integrada so-cial e ambientalmente, construa um Estado mais atuante e, com isso, promova cidadanias verdadeiras.