A importância do investimento no turismo sustentável no Brasil

Enviada em 17/11/2021

A Constituição Federativa de 1988, norma de maior hierarquia no Brasil, prevê o direito ao meio ambi-ente equilibrado. Contudo, na contemporaneidade, apesar dessa garantia judicial, tal preceito não se re-flete no cotidiano nacional quando se observa a carência de importância dada aos investimentos no tu-rismo sustentável no país. À luz desse enfoque, é essencial analisar que essa realidade tem gênese no sistema capitalista e na inoperância estatal. Logo, urgem medidas legislativas para resolver esse revés.

Diante desse cenário deletério, é imprescindível apontar o capitalismo como catalisador da decadência de investimento do turismo sustentável no espectro brasileiro. Acerca dessa premissa, seguindo a concepção do sociólogo prussiano Karl Marx, as raízes dessa estrutura econômica remotam desde a Primeira Revolução Industrial e se desdobram, atualmente, em uma sociedade classicista e hierarquizada em função do capital. Nesse contexto, esse modelo vai contra o princípio de responsabilidade do sociólogo Hans Jonas — o qual afirma que somos responsáveis por tomar ações que prolonguem a vida na Terra, ou seja, que garantam a sobrevivência das gerações futuras — dado que o sistema capitalista foca no lucro atual e desvaloriza o turismo sustentável, o que gera a sobrecarga dos ecossistemas brasileiros, uma vez que há um limite natural em cada bioma. Isso posto, depreende-se a grande chaga estrutural que o capitalismo se tornou, pois, enquanto houver a priorização de lucros, há de se perdurar a carência de importância dada ao turismo sustentável.

Além dessa mácula econômica, também é preocupante a indiligência governamental no tangente às ínfimas medidas para combater, de maneira séria e prioritária, a sobrecarga dos ecossistemas. Decerto, isso é perceptível, lamentavelmente, pelo caso do ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, posto que, apesar de ser alvo de investigações sobre a exploração da Amazônia, ainda sim foi nomeado como ministro no governo de Jair Bolsonaro. Nesse sentido, essa conjuntura, conforme a máxima do sociólo-go polonês Zygmunt Bauman, faz com que o Estado se configure como uma instituição “zumbi”, isto é, uma corporação que viola sua incumbência de garantir que os cidadãos brasileiros desfrutem de direi-tos indispensáveis previstos na Constituição Cidadã, como garantir um meio ambiente equilibrado para as gerações futuras. À vista disso, infere-se que a ineficiente máquina estatal opera como uma organização “zumbi” ao cercear os brasileiros a um cenário nefasto de pessoas negligentes no poder.

Dessarte, o capitalismo e a omissão estatal precisam ter os alicerces de suas fundações desfeitos. Assim, cabe ao Poder Legislativo criar um projeto de lei, por meio da Câmera dos Deputados. Nele deverá constar o pagamento de multas para os que sobrecarregarem ecossistemas, a fim de que o sistema capitalista dê importância para o investimento no turismo sustentável no Brasil.