A importância do investimento no turismo sustentável no Brasil

Enviada em 11/07/2024

Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste “,cuja a principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas.Segundo a lógica barrosiana,faz-se preciso,portanto,valorizar também a problemática do desenvolvimento de um turismo sustentável no Brasil,ainda que a importância da prática seja negada por parte da sociedade.Nesse sentido, a fim de mitigar os males relativos a essa temática, é importante analisar a mentalidade capitalista e a ineficiência do estado.

Em primeiro plano,destaca-se a mentalidade unicamente mercadológica como fator que dificulta o turismo sustentável ser desenvolvido no país.Isso ocorre porque, o sistema socioeconômico atual busca a maior rentabilidade de suas atividades financeiras em detrimento dos impactos ambientais e sociais causados por ela,como afirma Mahatma Gandhi, para o qual “a ganância é a única necessidade que a natureza não pode suprir”. Dessa forma, em função da lucratividade empresas de turismo sobrecarregam o meio ambiente construindo hotéis não ecologicamente funcionais, sem tratamento de esgoto por exemplo, em áreas de grande biodiversidade o que,pode provocar a morte de plantas e animais desequilibrando todo o ecossistema local por gerações.

Ademais, é necessário destacar a forma como parte do Estado costuma lidar com o turismo sustentável no Brasil. Isso porque, como afirmou Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”,a legislação brasileira é ineficaz, visto que , embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática. Prova disso é a escassez de políticas públicas voltadas para a aplicação do artigo 6 da “Constituição cidadã “que garante, entre tantos direitos, um meio ambiente equilibrado para todas as gerações. Isso é perceptível seja pela pequena campanha de conscientização a cerca da necessidade de empresas locais implementarem o turismo sustentável, seja por falta de incentivo financeiro para aqueles que aderirem a prática. Assim infere-se que nem mesmo o princípio jurídico foi capa de garantir que um turismo preocupado com o meio ambiente seja praticado no país.