A importância do movimento feminista na luta pelos direitos das mulheres
Enviada em 04/09/2019
Os princípios do movimento feminista tiveram início na Revolução Francesa, com o célebre discurso da revolucionária Olímpia de Gouges, que defendia direitos naturais iguais para homens e mulheres, porém, seu discurso foi silenciado na época. No entanto, no século XIX, esse movimento começou a ganhar força na sociedade liberal europeia recém-criada, com discurso emancipacionista influenciado pela corrente sufragista. Não obstante, na década de 60, já no século XX, o feminismo contemporâneo surge para legitimar a luta pela libertação da mulher na sociedade, sobretudo pela sua alteridade. Contudo, muitos embargos ainda são evidentes, como o alto número de feminicídios e a discrepância nos cargos políticos, onde o espaço é majoritariamente masculino.
A priori, é importante destacar o elevado número de homicídios, assédios sexuais e abusos sofridos por mulheres, como aponta a ONU. Destarte, a misoginia intrínseca no corpo social, desde a criação machista dos homens - idealizar mulheres como inferiores ou mais frágeis - até a própria educação repreendedora e esteticista voltada para o público feminino, auxilia na manutenção desses dados na sociedade. Portanto, o movimento feminista é de suma importância para que o cenário mude. Pois, consoante a ativista Malala Yousafzai ’’ Nós percebemos a importância da nossa voz quando somos silenciados’’, com os ideais de igualdade trazidos junto a essa luta, muitas mulheres têm a chance de conhecer a própria liberdade e reivindicar seus direitos.
Somado a isso, a prevalência de homens na composição do parlamento é alarmante. De acordo´com pesquisa realizada pelo IBGE em 2019, essa diferença chega a 20,5% em todas as esferas políticas. Por conta disso, muitas decisões que envolvem os direitos femininos são tomadas por homens, ou seja, as próprias mulheres não têm lugar na esfera política para expressar suas vontades e exercer sua cidadania. Este cenário é um agravante na sociedade brasileira.
Logo, é mister que o Estado tome providências para atenuar tal quadro. Para isso, é necessária a disseminação do projeto ‘‘Girl Power’’ nas instituições de ensino, por meio de palestras com representantes do movimento, a fim de aproximar mais meninas dos seus direitos e da luta que esses trazem consigo. Também, intensificar mais campanhas por meio das redes sociais referentes aos dados alarmantes, a fim de aproximar a sociedade da realidade que está inserida, criando uma reflexão acerca da misoginia intrínseca na moral social e sobre como isso pode silenciar muitas mulheres. Por fim, acelerar no Congresso a tramitação da proposta - PEC 38 - que garante a representação proporcional de sexo na composição parlamentar, a fim de garantir este direito ao público feminino. Somente assim, as Olímpias da sociedade brasileira não serão mais silenciadas.