A importância do movimento feminista na luta pelos direitos das mulheres

Enviada em 23/07/2020

“Clara dos Anjos”, de Lima Barreto retrata a história de garotas que tiveram suas reputações sociais destruídas após um envolvimento amoroso com Cassi Jones. Sem se casarem com o pai de seus filhos, as mulheres eram vistas como promíscuas e indignas, enquanto nada acontecia a Cassi. O romance é apenas uma mera demonstração sobre o quanto as mulheres necessitavam de um homem para serem consideradas idôneas ou adquirirem estabilidade financeira. Mesmo publicado há quase 100 anos, a mesma problemática perdura: há desigualdade nos direitos de homens e mulheres na sociedade. Sendo a “essência feminina” o argumento mais utilizado para explicar essa desigualdade que atinge as mulheres no mercado de trabalho e nas tarefas domésticas, o movimento feminista, que objetiva a igualdade, é um importante aliado nessa luta.

Simone de Beauvoir, escritora e ativista no movimento feminista, descreve no livro “O Segundo Gênero” a essência feminina como uma construção social que atribui às mulheres características inferiores as dos homens. Ao aceitar que um sexo é inferior, a essência se torna um fator determinante para estabelecer a dominação masculina. Durante todo o período colonial brasileiro, os senhores de engenho eram considerados superiores, membros da aristocracia, enquanto às mulheres cabia apenas o trabalho doméstico, já que sua essência não permitia que tomassem decisões, tivessem direitos como cidadãs ou trabalhassem como os homens.

Mesmo com avanços indispensáveis dos movimentos feministas para conquistar o direito ao trabalho, estudo e ao sufrágio feminino, dados do Banco Interameriano de Desenvolvimento (BID) ainda revelam que as mulheres ganham 30% a menos do que os homens, mesmo com currículo semelhante. Esses dados representam muito mais do que o aspecto econômico da desigualdade: eles reafirmam que as mulheres ainda são vistas como inferiores, seja pelo intelecto ou mesmo pelas diferenças biológicas. Com isso, é importante que esses movimentos continuem existindo para que haja gradual desconstrução do pensamento desigual.

Portanto, levar a sociedade a perceber que a essência feminina é uma construção social que dificulta a igualdade de gêneros é fundamental para que o movimento feminista progrida, conquistando direitos igualitários. Destarte, é dever do Ministério da Educação inserir na Base Nacional Comum Curricular debates sobre a desigualdade de gênero desde o ensino fundamental por meio de aulas de sociologia. O fito de tal ação é necessário para desconstruir pensamentos que corroboram para a manutenção da desigualdade. Somente dessa forma a luta pelos direitos das mulheres conseguirá atingir seu objetivo, pois, conforme Don Johnson, “Só a luta muda a vida.”