A importância do movimento feminista na luta pelos direitos das mulheres

Enviada em 11/03/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 5º que todos os homens e as mulheres são iguais em direitos e obrigações. Entretanto, tal prerrogativa não tem se transmitido com ênfase na prática quando se observa as diferenças sociais entre homens e mulheres no Brasil, no que tange às diferenças salariais e valorização entre homens e mulheres, o que dificulta, desse modo, a universalização deste direito social. Diante disso, é de suma importância o movimento feminista no país e imperiosa a análise dos fatores que favorecem este problema, bem como as questões políticas e o legado histórico

Em concordância com Aristóteles, a política tem como função preservar a igualdade entre as pessoas de uma mesma sociedade. Contrariamente, no Brasil, a ideologia machista persistente no mercado de trabalho não encontra o respaldo político necessário para ser solucionada. De acordo com dados do IBGE, em 2015, a jornada de trabalho da mulher era 7,5 horas a mais que a do homem, porém, seu salário era 8% menor. Com base nisso, percebe-se como a luta feminista é importante, já que há uma falta de observação política do Estado em igualar as horas de trabalho e o salário de ambos os gêneros para se obter uma sociedade mais justa. Observa-se que, isso se deve ao fato dos homens continuar sendo a maioria no poder público, o que dificulta ainda mais este movimento social.

Vale ressaltar, além disso, que a questão do machismo e a desvalorização da mulher evidencia um legado histórico social no país. Conforme Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. No Brasil, desde o período colonial, os homens sempre foram mais valorizados em comparação com as mulheres, suas obrigações eram mantidas exclusivamente em deveres domésticos, sem qualquer possibilidade de estudo e participação política. Percebe-se que o voto feminino foi um grande passo para a desconstrução das ideias machistas do século XX, já na idade contemporânea do século XXI, a luta pela igualdade de gêneros continua a perdurar, algo que deveria ter sido discutido no passado, ainda é uma questão no presente.

Depreende-se, portanto, que medidas estratégicas devem ser tomadas urgentemente para que haja um ambiente saudável e igualitário no mercado de trabalho brasileiro e na sociedade em questão. Logo, cabe à Câmara e ao Senado a criação de medidas legislativas, de modo a equalizar as diferenças salariais da mulher, ajustando em sua jornada de trabalho, assim será construído um ambiente de trabalho saudável e sem quaisquer desigualdades entre os gêneros. Nesta lógica, cabe também uma intervenção do Ministério da Educação, em parceria com as escolas, a partir da promoção de debates entre seus alunos sobre a questão do machismo e a apresentação do movimento feminista.