A importância do voto consciente para a sociedade brasileira

Enviada em 07/09/2020

Garantido pela Constituição Cidadã de 1988, o voto universal foi, de fato, um marco na asseguração da cidadania no Brasil, uma vez que possibilitou aos indivíduos a escolha de representantes de poder político.No entanto, percebe-se que, na atual conjuntura brasileira, a importância do voto é relativizada pela população, o que o torna negligente à realidade brasileira e incongruente aos anseios da sociedade.Desse modo,faz-se imperiosa a discussão acerca da importância da formação de uma consciência do voto no País,discorrendo tanto sobre aspectos culturais intrínsecos aos brasileiros, quanto as falhas educacionais na formação de uma consciência cidadã efetiva.

Em primeiro plano, é necessário atentar que o desinteresse e descaso quanto a importância do voto fazem-se constantes na sociedade. Nesse sentido, o livro “Raízes do Brasil”  do historiador Sergio Buarque de Holanda, traz que, culturalmente,o brasileiro é movido por “paixões”, dessa maneira, tende a tratar questões políticas como jogos, possuindo seus “favoritos” baseados em afinidade e carisma. Nesse ínterim, não avalia-se devidamente projetos e propostas governamentais do candidato, o que leva a uma conseguinte insatisfação com tal gestão,pois,não é o esperado pelo eleitorado. Dessa forma, tal aspecto cultural brasileiro corrobora à relativização da importância do voto na sociedade.

Outrossim, a falha educação política no País fomenta o desinteresse quanto à participação efetiva nos processos eleitorais. Nessa perspectiva, o educador Paulo Freire idealiza uma formação estudantil libertária, baseada na criticidade estando à serviço de uma transformação social. Contudo, observa-se que tal ideal não é implementado nas instituições de ensino, já que é ausente a educação política efetiva, cujo objetivo seria orientar o aluno quanto aos poderes e a importância de exercer de forma consciente o direito do voto como manifestação real para mudança. Logo, evidencia-se que a falta de uma educação libertadora configura-se um impasse a formação de uma consciência quanto ao voto.

Depreende-se, portanto, que não só aspectos culturais, como também aspectos educacionais, configuram-se empecilhos à formação de uma consciência eleitoral.Posto isso, cabe primeiramente ao Ministério das Comunicações junto ao Ministério da Justiça, tornar evidente os planos de gestão de candidatos, por meio da sua disponibilização em sites específicos na internet,nos quais os eleitores terão acesso rápido e prático aos planos governamentais, tal ação tem o fito de tonar clara as ações públicas que seriam tomadas por determinado candidato, além de deixar mais próximo do eleitorado. Ademais, o Ministério da Educação deverá implementar aulas de política nas turmas do 1ºano do ensino médio-série na qual os alunos já tem idade apta ao voto-, por meio de professores de direito com o intuito de tornar a formação cidadã do aluno completa,tal qual prevê a Carta Magna do País.