A importância do voto consciente para a sociedade brasileira

Enviada em 28/04/2021

Durante a República Oligárquica, a maioria das pessoas não exercia, de forma plena, o ato de votar consciente, tendo em vista que a elite regional possuía controle sobre os votos populares, criando uma rede de corrupção. No contexto brasileiro atual, embora a ideia de manipulação do sufrágio eleitoral esteja sendo combatida, ainda há entraves que dificultam o processo de votar com consciência, pois a população está, de certa maneira, impedida de exercer um direito. Nesse sentido, devido à lenta mudança da mente social e à frágil educação política, emerge um desafio social.

Em primeiro plano, destaca-se a pouca alteração da maneira retrógrada de pensar, o que fere o princípio de construção de uma sociedade mais racional e culta. A esse respeito, o filósofo Arthur Schopenhauer defende que o campo de visão de uma pessoa determina o seu entendimento a respeito do mundo, ou seja, a forma como um ser estrutura suas ideias é influenciada pelas condições que ele está sujeito. Nessa lógica, atesta-se que, na contemporaneidade, a perpetuação de uma imagem deturpada sobre o voto, geralmente associado a práticas ainda clientelistas, impede que o indivíduo perceba a importância da sua escolha consciente, bem como cria condições de alienação, pois não há reflexão total sobre a escolha do candidato quando o indivíduo é conquistado por promessas e propagandas nas eleições. Assim, o sufrágio inconsciente relaciona-se com a falta de racionalidade.          Além disso, a lacuna de ensino sobre política nos colégios contribui para a continuação do problema.Sob essa ótica, o teólogo Rubem Alves afirma que as escolas podem ser comparadas a asas ou a gaiolas, haja vista a possibilidade de promoverem libertação ou incompreensão.Nessa perspectiva, muitos alunos ao saírem das instituições de ensino não entendem a necessidade da consciência nos votos, isso acontece, porque a educação pública, muitas vezes, não estimula um pensamento autônomo e a criação de habilidades sociais e políticas, mas apenas, por vezes, na transmissão de conteúdos. Sob esse prisma, isso é exemplificado na inexistência de uma disciplina ou implementação em outras, como sociologia, que trabalhe com a criação de autonomia racional.

Portanto, fica clara a importância do voto consciente e a necessidade de coibir a problemática discorrida. Posto isso, cabe ao Ministério da Educação implementar ,no currículo escolar, a instrução obrigatória aos eleitores, por meio do apoio intelectual de professores de sociologia, com a finalidade de promover reflexão social, bem como de ampliar a cidadania nas escolas. Ademais, deve ocorrer a participação da comunidade local nesse ensino político, como em debates, além da divulgação dessa ação nos meios midiáticos. Então,  possivelmente, os votantes serão conscientizados, evitando ,pois, a continuação do passado histórico da República Velha.