A importância do voto consciente para a sociedade brasileira

Enviada em 12/07/2021

Consoante Aristóteles, o homem é naturalmente um ser político, sendo a sua existência racional concretizada na pólis. Entretanto, apesar da participação política ser importante para os gregos durante a Idade Antiga, é notório que, no Brasil contemporâneo, a prática do voto consciente não é valorizada, muito menos exercida plenamente na sociedade brasileira. Dessa maneira, tal cenário é tanto responsável por fortalecer as desigualdades sociais quanto é gerado pela ausência de senso crítico diante das informações transmitidas pelos meios de comunicação.

Primeiramente, é inegável que uma conjuntura política é capaz de manter ou agravar as disparidades existentes entre os cidadãos. Do mesmo modo, a passagem para o sistema republicano, no Brasil, representou a permanência dos interesses das elites no poder, em detrimento da atenuação das condições precárias de sobrevivência enfrentadas por grande parte da população. Logo, mesmo no século XXI, com a participação eleitoral obrigatória para os alfabetizados entre 18 e 70 anos, a insuficiência do voto consciente no país promove a sobreposição dos grupos privilegiados sobre os mais pobres e, em contrapartida, a falta de direitos, como segurança alimentar e saneamento, continuam a imperar na realidade brasileira. Consequentemente, é imprescindível que o Estado promova ações de incentivo à consciência ao longo de momentos de eleição, a fim do ser humano executar a existência racional, conforme a teoria aristotélica.

Outrossim, a falta de senso crítico na interpretação do conteúdo divulgado nos meios de comunicação também atrapalha o exercício do voto consciente no Brasil. Assim, segundo Milton Santos, o que é transmitido na mídia é uma informação manipulada que, em lugar de esclarecer, confunde. Portanto, a Internet e a televisão são espaços sujeitos à divulgação de notícias falsas capazes de beneficiar ou prejudicar certo candidato durante as eleições. Dessa forma, deficiências no sistema de educação brasileiro impedem que o indivíduo consiga filtrar as informações propagadas na mídia e, então, exercer plenamente o voto consciente para efetuar a sua participação política.

Diante disso, para que o voto consciente seja valorizado e praticado pela sociedade brasileira, é necessário que o Ministério da Educação crie o Plano de Construção da Consciência Política, que, por meio de palestras, organizadas por profissionais competentes, acerca de temas contemporâneos e das notícias falsas, nas escolas de todo o país, irá não só diminuir as disparidades sociais geradas pelo afastamento da democracia, como também a disseminação de informações manipuladas. Essas palestras deverão ser realizadas mensalmente, discutindo questões como pobreza e preconceito. Em suma, o Brasil ampliará a presença política dos seus cidadãos, defendida por Aristóteles.