A importância do voto consciente para a sociedade brasileira
Enviada em 29/09/2021
No início do século XX, a prática do voto de cabresto evidenciou a alienação da sociedade brasileira frente ao processo eleitoral. Lamentavelmente, após quase cem anos, o Estado Democrático de Direito, assegurado pelo artigo primeiro da Constituição Federal de 1988, ainda enfrenta barreiras para se consolidar no território verde e amarelo. Destarte, a negligência governamental e a passividade da sociedade corroboram a manutenção desta problemática. Nesse sentido, é imperativo debater a importância do voto consciente no Brasil.
Em primeira análise, resgata-se o aspecto supracitado no que diz respeito à negligência governamental. Nesse âmbito, apesar do Governo brasileiro estipular o sufrágio universal, ele falha em não instrumentalizar a população para o exercício consciente do voto. Por este motivo, o Estado passa a atuar como uma Instituição Zumbi, conforme definido pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman, uma vez que perde sua função social e passa a agir sem quaisquer ações efetivas na conscientização deste direito constitucional. Assim, é urgente a reação do poder público para garantir o voto consciente.
Ainda, a passividade da sociedade atua como um catalisador do problema. Isso ocorre devido à falta de interesse do corpo social no cenário político, principalmente em virtude dos inúmeros casos de corrupção intrínsecos à política brasileira, os quais desestimulam a adesão pública ao processo eleitoral no país. Desse modo, o filósofo irlandês Edmund Burke encontra eco na política nacional ao afirmar que, para que o mal triunfe, é necessário a passividade dos cidadãos de bem. À vista disso, faz-se urgente resgatar a idoneidade da política brasileira para evitar tal problemática.
Diante do exposto, é impreterível a atuação no Estado para garantir que o corpo social vote de maneira consciente. Para tanto, é necessário que o Ministério da Justiça, em conjunto com o Ministério da Educação, promova debates por meio de palestras em escolas e centros comunitários municipais, onde deve ser exposto os impactos do voto consciente, com a finalidade de instrumentalizar a população e qualificá-la para o processo eleitoral. Dessa forma, será possível que o voto de cabresto não mais se reverbere na prática, tornado o voto consciente factível.