A importância do voto consciente para a sociedade brasileira

Enviada em 29/10/2021

Denominada como ‘‘Cidadã’’ por Ulysses Guimarães, a Constituição Federal de 1988, por ter sido concebida no processo de redemocratização, garante o pleno exercício dos direitos políticos na sociedade brasileira, zelando pela participação popular no processo político. Nesse viés, é nítida a importância do voto consciente, sendo imperativo ressaltar seus benefícios para a plena cidadania. Entretanto, a forte coerção da mídia configura o entrave desse quadro, o qual urge ser combatido.

Sob esse prisma, dentro da esfera pública, o cidadão tem o dever de cumprir suas funções políticas e sociais para garantir o bem-estar do povo. Dessa forma, a importância do voto consciente é mais um motivo para zelar dessa participação, pois o efetivo acesso à informação de qualidade das propostas políticas auxilia na profícua elucidação dos eleitores. Para entender tal apontamento, é lícito citar os pensamentos do filósofo Aristóteles, uma vez que a política aristotélica é essencialmente unida à moral, porque o fim último do estado humano é a virtude, isto é, a formação moral dos cidadãos e o conjunto dos meios necessários para isso. Analogamente, percebe-se que o apoio da população no que tange ao voto consciente é substancial para o exercício da cidadania, pois a união entre sociedade e governo contribui para que as metas governamentais sejam devidamente aplicadas e usufruídas por todos.

Simultaneamente, no entanto, esse edificante contexto ainda não é popularizado no Brasil, pois a mídia, na figura das redes sociais, contém diversas ‘‘fake news’’ sobre política, como distorções acerca das propostas dos candidatos às eleições municipais. Diante dessa forte coerção midiática, a qual visa manipular as opinões e os pensamentos dos usuários, o conceito de ‘‘Violência simbólica’’, do filósofo Pierre Bourdieu, ilustra bem tal perspectiva, porquanto, segundo ele, é uma fonte de agressão sem o contato físico, com o fito de interiorizar a cultura dominante pela imposição dissimulada. Paralelamente, sendo uma forma de exclusão política, grupos que confiam plenamente nas informações midiáticas mostam-se vulneráveis aos efeitos das ‘‘fake news’’. Consequentemente, por meio da desinformação e da manipulação, esse impasse obstaculiza o exercício do voto nas urnas, pois os eleitores são enganados pela mídia coercitiva. Logo, é substancial o combate desse óbice.

Portanto, diante dos desafios supramencionados, é imperioso que o Ministério das Comunicações desenvolva um algoritmo digital responsável pela identificação e manuseio das ‘‘fake news’’ presentes nas redes sociais, as quais serão analisadas pelo setor de denúncias a fim de abolir informações que descredibilizam a política nacional. Essa medida deverá ser realizada mediante um pacote de ações orçamentárias a ser incluído no Plano Plurinual, a saber: destinação de recursos monetários na área da cibercultura, a fim de zelar pelo bem-estar da população verde-amarela, como promete a Constituição.