A importância do voto consciente para a sociedade brasileira

Enviada em 13/11/2021

O filósofo grego Aristóteles definia o ser humano como um animal primordialmente político, tendo como principal característica a capacidade de debater e definir o futuro da comunidade em que convive. Sob essa ótica, o hodierno contexto da desvalorização da importância do voto no Brasil vai de encontro com a ideia do pensador, visto que tal problemática nega a natureza política do homem e expõe à vulnerabilidade a democracia nacional. Isso se deve, sobretudo, a uma herança histórica e a uma base educacional lacunar.

Mormente, é válido ressaltar que o desinteresse de uma parte da população, no que tange o exercício do voto, tem uma raiz histórica. Nessa perspectiva, ainda no período imperial, criou-se a Lei Saraiva, a qual limitava o direito à votação de uma substancial parcela da nação, principalmente dos analfabetos. Sob esse viés, é notório que essa noção restritiva, que perdurou durante anos, acerca de quem é apto a participar da democracia estimulou o esquecimento da importância da atividade política nas camadas menos privilegiadas, uma vez que ao limitar tal direito esse grupo de indivíduos tem sua cidadania cerceada. Dessa forma, os desafios históricos enfrentadas pela democracia favoreceram a desvalorização do voto nacional.

Outrossim, a despreocupação das instituições escolares em estimular a construção de um protagonismo político impede a consolidação do voto. Sobre isso, o pedagogo Paulo Freire, na obra “A Pedagogia do Oprimido”, defende que o papel da educação é promover a autonomia crítica e social do cidadão, garantido-o uma consciência política. Todavia, é evidente que a ideia de Freire não é posta em prática, pois a atual ausência de debates escolares sobre o papel da votação na sociedade fomenta uma postura negligente dos estudantes quanto o valor da soberania popular garantido pelo voto. Dessa maneira, o imobilismo das agentes educacionais impede a consolidação de uma das principais práticas da democracia.

Torna-se imprescindível, portanto, buscar a valorização do exercício do voto. Para isso, é papel do Ministério da Educação - órgão responsável pela política educacional do país - incluir uma nova matéria chamada “Educação Política” no cronograma escolar, por meio da elaboração de um plano pedagógico feito por cientistas políticos, historiadores e sociólogos, a fim de estimular a formação de corpo social que entenda a importância da atividade política para a formação de democracia sólida. Assim, quiçá um dia, a ideia de Aristóteles seja plenamente respeitada.