A importância do voto consciente para a sociedade brasileira
Enviada em 20/11/2021
Segundo a Declaração Universal de Direitos Humanos, todos os indivíduos são iguais em dignidade e direitos. No entanto, quando se trata da importância do voto consciente, é possível notar que nos dias atuais, a realidade vivida por uma grande parcela populacional não corrobora com esta afirmação, uma vez que as mazelas sociais impedem que o indivíduo tenha o devido conhecimento e interesse na hora de votar. Com isso, em virtude da negligência governamental e da falta de consciência social, um cenário adverso se instala, sendo imperativo que esse seja minorado.
Dessa forma, em primeira análise, a negligência governamental é um obstáculo na resolução do problema. A Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 1988, confere inúmeros direitos sociais aos brasileiros. Entretanto, a existência de inúmeras carências nas áreas da saúde, educação, alimentação e moradia interferem diretamente na capacidade de julgamento e na dignidade do indivíduo que, tendo então os seus direitos negados, opta por votar em um candidato que lhe ofereça um benefício direto ou anular o seu voto, por desacreditar em mudanças. Desse modo, faz-se mister a reformulação da postura estatal.
Além disso, a falta de consciência social é causa secundária do problema. Para Bauman, célebre filósofo e sociólogo polonês, os valores da sociedade estão colonizados pela lógica de mercado. Tal constatação, é nítida quando observado o comportamento sociocultural de barganha entre candidatos e eleitores, que colocam o individual acima do coletivo. Nessa lógica, é possível perceber que os interesses pessoais carregam consigo um poder de devastação incalculável, em relação à evolução do corpo social. Assim, inverter a lógica individualista, colocando os valores humanos em primeiro lugar, é urgente.
Portanto, o Poder Executivo que, juntamente com o Judiciário e o Legislativo, compõe o Estado e assegura a implementação e execução de leis e garantias sociais, deve, por meio de um conjunto de ações, buscar encontrar e debelar as falhas constitucionais que ferem os direitos sociais. Tais ações devem conter emendas, políticas públicas e programas sociais efetivos que promovam uma dignidade mínima à todos os cidadãos. Em paralelo, compete ao poder público, por meio de verbas governamentais, criar campanhas midiáticas efetivas acerca do valor do voto consciente, com ênfase para a importância de se priorizar a coletividade no momento das eleições, de se conhecer as propostas do candidatos e contribuir com informações concretas e apartidárias acerca daqueles que se propuseram a disputar um cargo público. Somente assim, os preceitos da Declaração Universal de Direitos humanos estarão numa realidade mais próxima.