A importância do voto consciente para a sociedade brasileira
Enviada em 05/01/2022
Diferentemente da Rebública Brasileira, há países, como os Estados Unidos por exemplo, que não possuem votação obrigatória. No Brasil, entretanto, a organização em voga pode ser vista analogamente à premissa socrática de que o homem é um animal político. Sob essa perspectiva, a escolha representativa seria necessária, pois o ser humano vive em grupos que precisam de um gerenciamento devidamente escolhido, o que evidencia a responsabilidade delegada aos cidadãos. Desse modo, é conveniente analisar a importância da escolha sábia para o bem comum, e as causas do mau exercício desse direito.
Primeiramente, a decisão bem conduzida é tão libertária quanto a episteme descrita por Platão. No mito da caverna, o filósofo discorre sobre personagens aprisionados, que somente tinham acesso as sombras do mundo real. Apesar de antiga, a obra pode relacionar-se à prática correta da votação, a qual possui poderes de desamarrar cidadãos e os levar à luz da razão, ou seja, à episteme. Assim, a sociedade impediria que o senso comum da política a mantenha com conhecimento restrito a uma silhueta da realidade. Nota-se, então, o caráter essencial da votação racional para a manutenção do bem-estar social.
Por conseguinte, é comum que os brasileiros soneguem a escolha política. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral - TSÉ -, mais de vinte porcento da população votou em branco ou nulo na eleição de 2018. Dados como este evidenciam o desgaste gerado por anos de uma democracia mal estabelecida, como o período do voto do cabresto, por exemplo. Logo, como resultado do estigma histórico deixado por descasos como tal, somado à ignorância da população, métodos como a dúvida metódica cartesiana - válida para uma apuração efetiva das possibilidades - seja desprezada. Lamentavelmente, tal cenário tem como consequência uma sociedade presa à caverna no desconhecimento e da insegurança democrática.
Portanto, para mitigar os efeitos negativos da execução indevida do dever político, o Ministério da Educação deve, por meio das instituições públicas de ensino, incluir na grade curricular dos estudantes, projetos que viabilizem o treinamento da seleção representativa. Isso poderá ser feito com votações simbólicas, debates em sala de aula e palestras de caráter pedagógico. Dessa maneira, previamente treinados, os futuros eleitores terão autonomia para julgar as propostas ideais à sociedade de cada época.