A importância do voto consciente para a sociedade brasileira

Enviada em 18/06/2024

Na Grécia, os cidadãos atenienses levavam a sério a política, haja vista que se sentiam contentes em participar de decisões que interessavam a todos. No Brasil hodierno, contudo, não se observa a mesma seriedade, dado que subsistem práticas que dificultam o exercício do voto consciente, apesar de sua importância para o futuro do País. Nesse contexto, destacam-se o desinteresse social e a troca do sufrágio por interesses pessoais como dois agentes tonificadores dessa questão.

Em um primeiro momento, pontua-se que fatores ligados ao descrédito da população dado à política fomentam a problemática. Nesse sentido, o filósofo Platão defendia que não há problemas com as pessoas que não gostam de princípios políticos, mas elas serão governadas por aquelas que os apreciam. Por esse ângulo, os indivíduos desinteressados, que não enxergam o poder transformador de seu voto, deixam o destino da Nação a cargo dos demais eleitores, o que pode levar à ascensão de líderes políticos indesejáveis. Logo, enquanto esse cenário permanecer vigente, a consciência no que tange ao sufrágio estará abalada.

Além disso, a priorização de vantagens individuais em detrimento das coletivas corrobora o revés. A esse respeito, o período da República Velha tinha como uma de suas características o “voto de cabresto”, ferramenta utilizada pelos coronéis para controlar o voto popular a partir da compra deste. De forma análoga àquela época, em algumas cidades brasileiras, sobretudo as interioranas, tal prática ainda existe, uma vez que a prefeitura é a principal fonte de renda nesses locais e, pois, a permuta do sufrágio por cargos públicos é muito comum. Assim, essa situação representa um retorno a conjunturas do passado e, dessarte, precisa passar por ressignificações.