A importância do voto consciente para a sociedade brasileira

Enviada em 03/10/2024

Na Grécia, os cidadãos atenienses levavam a sério a política, haja vista que se sentiam contentes em participar de decisões que interessavam a todos. No Brasil hodierno, contudo, não se observa a mesma seriedade, dado que subsistem práticas que dificultam o exercício do voto consciente, apesar de sua importância para o futuro do País. Nesse contexto, destacam-se o desinteresse social e a troca do sufrágio por interesses pessoais como dois agentes tonificadores dessa questão.

Em um primeiro momento, pontua-se que fatores ligados ao descrédito da população dado à política fomentam a problemática. Nesse sentido, o filósofo Platão defendia que não há problemas com as pessoas que não gostam de princípios políticos, mas elas serão governadas por aquelas que os apreciam. Por esse ângulo, os indivíduos desinteressados, que não enxergam o poder transformador de seu voto, deixam o destino da Nação a cargo dos demais eleitores, o que pode levar à ascensão de líderes políticos indesejáveis.

Além disso, a priorização de vantagens individuais em detrimento das coletivas corrobora o revés. A esse respeito, o período da República Velha tinha como uma de suas características o “voto de cabresto”, ferramenta utilizada pelos coronéis para controlar o voto popular a partir da compra deste. De forma análoga àquela época, em algumas cidades brasileiras, sobretudo as interioranas, tal prática ainda existe, uma vez que a prefeitura é a principal fonte de renda nesses locais e, pois, a permuta do sufrágio por cargos públicos é muito comum.

Portanto, é preciso evidenciar a importância do voto consciente para o futuro do Brasil. Para tanto, cabe ao Tribunal Superior Eleitoral – instância jurídica incumbida de organizar o processo eleitoral brasileiro –, por meio das emissoras de TV e rádio e de parceria com o Ministério Público, não só difundir a capacidade de mudança social advinda do voto popular, mas também solicitar fiscalizações mais rígidas em épocas de eleição, a fim de mobilizar os eleitores que perderam o interesse pela política brasileira e de coibir a compra de votos, bem como a sua troca por bens e cargos públicos. Feito isso, a seriedade da política brasiliense poderá ser semelhante à da ateniense.