A importância dos biomas brasileiros para a vida
Enviada em 07/10/2020
O primeiro documento escrito da história do Brasil, carta redigida por Pedro Vaz de Caminha e enviada ao rei de Portugal, relatava a abundância das águas, flora e fauna. Desde então, essa rica natureza vem sendo cada vez mais devastada por consequência da exploração e dos desastres ambientais causados pelo homem. Essa realidade persiste em virtude da falta de atenção e má preservação dos biomas brasileiros na hodiernidade. Sob tal ótica, vê-se que o individualismo presente na sociedade e o descaso estatal revelam-se como agravantes para essa problemática. Diante desse panorama defectivo, urge sua necessidade por retificação. A princípio, é imperioso avaliar como a inação governamental contribui para tal adversidade. A Magna Carta de 1988 garante a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, no entanto, é factual que o Poder Executivo não efetiva essa prerrogativa. Isso é comprovado quando se vê que há a falta de medidas efetivas quanto ao controle do desmatamento das florestas brasileiras, observada no crescimento de 85% na devastação da Amazônia segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em 2019. Essa conjuntura, de acordo com o contratualista Thomas Hobbes, configura-se como “violação do contrato social”, visto que, segundo o autor, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Assim, cabe ao Governo um plano para atenuar essa situação. Sob outro prisma, cabe pontuar também, como o individualismo presente na sociedade colabora para a falta de preservação dos biomas do Brasil. Nesse viés, a filósofa alemã Hannah Arendt criou o conceito de ‘‘responsabilidade coletiva’’, no qual todos os indivíduos em uma comunidade são coletivamente responsáveis pelas ações do Estado em seus nomes. Acerca disso, percebe-se o fato dos brasileiros não estarem exercendo bem esse seu dever, uma vez que o tecido social permanece estático diante de problemas socioculturais como esse. Dessarte, fica evidente que uma mudança no pensamento do corpo social brasileiro é fundamental, tendo em vista que o homem deve zelar pelo bem coletivo em detrimento do individual, em virtude deste estar articulado em uma comunidade. Infere-se, portanto, que há entraves para que sejam erradicados os danos causados aos biomas brasileiros por causa da falta de preservação. Assim, cabe ao Governo Federal em parceira com o Ministério da Educação – ramo estatal responsável pela formação civil - criar um projeto para ser desenvolvido nas escolas. Isso pode ser feito por meio da abordagem da temática, desde o ensino fundamental com palestras, atividades lúdicas e artísticas adaptadas à faixa etária, a fim de que a comunidade escolar e a sociedade no geral – por conseguinte – sensibilizem-se. Por fim, é imprescindível que a comunidade tupiniquim exija do Poder Público a concretude dos princípios constitucionais. Dessa maneira, a realidade aproximar-se-á da descrição de Pedro Vaz de Caminha em sua carta ao Rei de Portugal.