A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves

Enviada em 01/10/2021

A relação médico paciente surgiu com o advento da medicina hipocrática, cujo objetivo era exclusivamente o benefício humano, tendo em vista a pessoa e não simplesmente a doença. Nesse sentido, surge a magnitude de valorizar a medicina paliativa, pois ela estreita a relação interpessoal no âmbito clínico e fornece uma resposta razoável para o paciente. São prementes, pois, estratégias capazes de suscitar a valorização social acerca dos cuidados paliativos, como forma de reverenciar, virtuosamente, a vida humana.

Nesse contexto, é lícito destacar a figura de uma das pioneiras dos Cuidados Paliativos, Cicely Saunders, a qual defendia que a dor só se torna intolerável quando ninguém cuida dela. Nesse viés, é indubitável o potencial da medicina paliativa em humanizar a relação entre os profissionais de saúde e as vítimas das doenças. Isso porque ela é pautada num processo que acalenta os pacientes, a partir de condutas empáticas, utilizando do diálogo como vetor de cura para o sofrimento, já que a partir dele o médico é capaz de vislumbrar as idiossincrasias do indivíduo, de modo a compreender seus medos, anseios e desejo. Assim, nota-se que essa vertente da medicina ao promover uma relação horizontal entre doutor e assistido, é responsável por tornar as relações interpessoais mais humanizadas.

Sob esse prisma, no contexto da Segunda Guerra Mundial, é sabido que os médicos injetavam morfina nos feridos não necessariamente com o intuito de curá-los, mas sim de atenuar sua dor. Analogamente, no cenário da medicina contemporânea, os cuidados paliativos emergem de modo a extrapolar os limites da ciência, possibilitando que o médico conheça o âmago do paciente, a fim de garantir a qualidade de vida e o bem-estar desse paciente, nesse momento de grande dificuldade. Para isso, é fundamental que o médico parta da premissa de que, como diria André Junqueira, " O importante não é dar tempo à vida, mas dar vida ao tempo". Desse modo, a medicina paliativa atua como uma espécie de luz no fim do túnel, capaz de conduzir os pacientes a caminhos permeados pela eudaimonia psíquica, conceito enfatizado por Aristóteles, para definir a plenitude do ser.

Portanto, é fato que os cuidados paliativos representam uma área de fundamental importância, a qual deve ser tratada com maior relevância, dada a magnitude do seu impacto sobre a vida das pessoas. Dito isso, é basilar que a Associação Médica Brasileira promova seminários, por meio de palestras e debates acerca dos cuidados paliativos, com o fito de promover uma valorização desse mecanismo dentro da medicina e torná-lo cada vez mais acessível.