A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves

Enviada em 30/09/2021

Na obra “O Espírito das Leis”, Montesquieu enfatizou que é preciso analisar as relações sociais existentes em um povo para, assim, aplicar as diretrizes legais e abonar o progresso coletivo. No entanto, ao observar o paliativismo em terras canarinhas, certifica-se que a teoria do filósofo diverge da realidade tupiniquim contemporânea. Dessa forma, é vital enunciar os aspectos socioculturais e a insuficiência legislativa como pilares fundamentais da chaga.

Em primeira análise, é importante considerar o fator grupal. Conforme o pensador Jurgen Habermas, a razão comunicativa constitui etapa fundamental do desenvolvimento social. Nesse ínterim, a falta de estímulo ao debate a respeito dos cuidados paliativos em doenças de alta gravidade, todavia, coíbe o poder transformador da deliberação e, consequentemente, ocasiona profissionais da saúde sem o devido conhecimento sobre o assunto. Segundo a Organização Mundial da Saúde(OMS), as técnicas paliativas lecionadas nas faculdades ainda são insuficientes. E isso dúvidas abre margens para perpetuação do problema em questão. Destarte, discorrer criticamente a problemática é o primeiro passo para a consolidação do progresso sociocultural habermaseano.

Além disso, merece destaque o quesito constitucional. Segundo Jean-Jacques Rousseau, os cidadãos cedem parte da liberdade adquirida na circunstância natural para que o Estado garanta direitos intransigentes. Os cuidados paliativos no país do futebol, entretanto, contrasta a concepção do pensador na medida em que, embora o governo tenha promovido diversas leis em relação a saúde, a ação estatal precisa ser mais intensa, estimulando condutas paliativas dentro dos ambientes hospitalares do Brasil. Dessa forma, ações precisam ser executadas pelas autoridades competentes com o fito de dirimir o revés.

Entende-se, portanto, a temática como sendo um obstáculo intrínseco de raízes culturais e legislativas. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos de grande audiência, irá discutir o assunto com médicos, psicólogos e diretores de hospitais, com o objetivo de mostrar as reais consequências do problema, apresentar visão crítica e orientar os espectadores a respeito do impasse. Essa medida ocorrerá por meio da elaboração de um projeto estatal, em parceria com o Ministério das Comunicações. Em adição, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, deverá criar um projeto de lei que obrigue as universidades a aumentarem a carga horaria de unidades curriculares que tenham ligação com cuidados paliativos. Desse modo, com a deliberação de Habermas e a justiça de Rousseau, a sociedade brasileira terá o progresso social concretizado, como enfatizou Montesquieu.