A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves
Enviada em 23/10/2021
“No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho”. Os versos de Carlos Drummond de Andrade ensejam uma reflexão: as doenças crônicas e terminais são “pedras” no caminho para o bem-estar dos enfermos e dos seus familiares. Nesse contexto, surge a magnitude de valorizar os cuidados paliativos para humanizar a relação médico-paciente-familia e para a obtenção de respostas razoáveis para portadores de enfermidades que ameaçam a vida. São prementes, pois, estratégias de incentivo à atuação paliativista, de modo a reverenciar, virtuosamente, a vida humana.
A princípio, é fato a relevância dos cuidados paliativos para humanizar a relação entre o médico, o paciente e os seus familiares. Nesse sentido, para Hipócrates, o médico deve “Curar quando possível, aliviar frequentemente e consolar sempre”. A partir da premissa do pai da medicina, o apoio psicológico da equipe médica que acompanha o paciente, mediante o cuidado paliativo, é basilar para acalentar as esferas física, psíquica e espiritual do assistido. Isso porque uma anamnese detalhada permite a compreensão das dores - não só físicas - e a comunicação empática e compassiva, para prover ao assistido uma melhor resposta aos tratamentos e aliviar as suas angústias e medos. A humanização do atendimento médico, assim, é fundamental para cuidados que mitigam a dor e o sofrimento dos enfermos acometidos por graves patologias ou daqueles que se encontram em estágio terminal.
Para além dessa reflexão, a abordagem paliativa é indispensável para garantir boas respostas dos portadores de doenças que podem ceifar a vida. Nesse viés, o filme “Patch Adams: O Amor é Contagioso” retrata um médico que busca aliviar o sofrimento dos seus pacientes com brincadeiras e amor”. De forma semelhante, atenuar o mal-estar causado pelo tratamento e pela doença, por meio dos cuidados paliativos pode garantir a dignidade e a paz interior do paciente. Diante disso, é inegável a relevância de medicamentos que amenizam os incômodos físicos e de meios alternativos de cuidados, como a arte, as rodas de conversa e os relacionamentos interpessoais. Logo, a atuação paliativa é imprescindível para que os assistidos, de forma holística, tenham bons resultados nos tratamentos.
Portanto, “O ser humano pode mudar a sua vida alterando a sua atitude mental”. Consoante ao pensamento do filósofo William James, é basilar que o Conselho Federal de Medicina promova seminários, mediante mesas redondas com médicos e familiares de pacientes terminais que experimentaram as benesses do cuidado paliativo, com o fito de orientar os estudantes de medicina sobre essa abordagem. Assim, poderá haver uma troca de experiências e de sentimentos acerca dos momentos de medo e de desespero, para suscitar ações empáticas nos futuros doutores e transformar as pedras em que os médicos “tropeçam”, em uma escada direcionada à saúde e à qualidade de vida.