A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves
Enviada em 01/10/2021
O filme “ A culpa é das estrelas” narra a história de Hazel e Gus, dois jovens que vivem com o câncer e sofrem com as implicações sociais de serem portadores de uma grave doença. De forma análoga à obra cinematográfica, inúmeras pessoas convivem com delicadas patologias e, portanto, necessitam de tratamentos diferenciados. Nesse cenário, os cuidados paliativos têm suma importância devido a priorizarem o bem-estar do indivíduo, assim como ajudarem os familiares e entes próximos a lidar melhor com a doença. Ao ter em mente que o direito à dignidade humana é uma prerrogativa democrática, faz-se necessária a discussão acerca dos cuidados com pacientes graves.
Em primeira análise, é fulcral pontuar que os cuidados paliativos não representam uma desistência de combate à doença, mas sim um tipo de abordagem singular que contempla o cidadão e suas vontades acima do prolongamento de sua vida. Nesse sentido, o filósofo grego Platão dizia que a saúde física e mental é basilar à integridade do ser humano, o que se traduz, no caso de doentes terminais, na manutenção de seu bem-estar. Nesse interim, as práticas médicas devem ser direcionadas a um tratamento menos invasivo e que se preocupe com a qualidade de vida do enfermo.
Em segunda análise, os esforços no tratamento dos doentes graves também podem ajudar a família e entes próximos a enfrentar a possibilidade da perda, visto que se encontram, muitas vezes, desamparados e sem o equipamento emocional suficiente para essa situação. Sob essa ótica, a médica e fundadora da Associação Casa do Cuidar, Ana Cláudia Quintana Arantes, reforça a importância do preparo da família diante do luto iminente em seu livro “A morte é um dia que vale a pena ser vivido”. Na obra, a autora revela que cuidar de um doente é uma oportunidade para procurar um novo olhar para a vida, ou seja, criar uma rede de amparo especializada torna o processo do cuidado menos doloroso, além de ajudar a quebrar o tabu quanto ao óbito.
Diante do exposto, verifica-se a necessidade da difusão dos cuidados paliativos para os indivíduos gravemente doentes. Dessarte, com o intuito de preparar os profissionais para essa área, é mister que o governo federal, por meio do Tribunal de Contas da União, direcione capital para o Ministério da Saúde, que deverá reverter a verba na elaboração e aplicação de cursos sobre cuidados paliativos, a ser ministrados tanto nas universidades quanto em hospitais e clínicas, com o objetivo de abranger todos os profissionais da saúde e integrá-los no cuidado físico e mental com os enfermos. Desse modo, espera-se tornar as práticas médicas e de cuidado com pacientes terminais mais humanizadas para que plenitude da dignidade humana seja alcançada até os instantes finais.