A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves
Enviada em 01/10/2021
A interpretação cristã de Santo Agostinho define a morte como a passagem da vida terrena para a vida espiritual. Nesse contexto, pessoas com doenças potencialmente fatais necessitam de cuidados paliativos que proporcionem essa ida sem sofrimentos. Entretanto, a negligência governamental e a desorganização de setores públicos de saúde impedem os suprimentos dessas necessidades.
Primariamente, vale ressaltar o papel do governo na organização das esferas coletivas. Conforme o filósofo Rousseau, o Estado é responsável por proporcionar o bem-estar social, inclusive na questão da saúde. Sob essa ótica, o cenário brasileiro atual não se insere no modelo rousseauniano de sociedade, uma vez que a estrutura precária da maioria dos hospitais públicos e a falta de equipamentos de qualidade não promovem o bem da população. Dessa forma, os cuidados paliativos não exercerão resultados positivos diante desse cenário de negligência governamental.
Nesse viés, os setores públicos de saúde se desenvolvem em meio à desorganização, o que compromete a medicina paliativa. Nessa perspectiva, o ocorrido na pandemia do coronavírus serve como exemplo dessa situação, quando os hospitais superlotaram e os pacientes foram obrigados a receber tratamentos medicinais em corredores improvisados. Dessa maneira, os cuidados paliativos com os indivíduos portadores de doenças graves, no contexto da precariedade da saúde pública, não promoverão um fim de vida menos sofrido.
Portanto, faz-se imprescindível que o governo intervenha no problema. Desse modo, cabe ao Estado - agente ativo na tomada de decisões - investir em infraestrutura hospitalar, a fim de melhorar a organização da saúde pública e da medicina paliativa. Assim, a meta far-se-á realidade por meio da utilização monetária dos impostos, que bancarão a compra de novos equipamentos e as reformas nos hospitais. Nesse sentido, a passagem da vida terrena para a vida espiritual será amena.