A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves

Enviada em 02/10/2021

Na série de TV ‘‘Grey’s Anatomy’’, é retratado o caso de uma paciente com câncer terminal que, na tentativa de diminuir o sofrimento da filha médica, aceitou participar de inúmeros experimentos agonizantes que não foram efetivos. Nesse sentido, a narrativa revela a importância dos cuidados paliativo para indivíduos com doenças graves. Fora da ficção, fica claro que a realidade apresentada na trama pode ser relacionada com a falta de discussão sobre a morte na sociedade e, além disso, o despreparo dos profissionais da saúde para com os cuidados paliativos.

Sob essa perspectiva, é importante analisar o tabu que permeia o ato de morrer. De acordo com a psicoterapeuta Soraya de Aragão, vivemos em uma comunidade que gratifica a vida, entretanto, não reconhece a morte como parte dela. Esse pressuposto permite explicar, então, o porquê de, no momento de luto, a resposta ser o silência pois o ser humano não está socialmente preparado para lidar com a perca de um dos seus. Assim, acarreta uma dificuldade de discussões sobre o tema, o que acarreta a dificuldade de profissionais agirem nestes momentos.

Ademais, a falta de estruturação e integração das equipes paliativistas no sistema de saúde brasileiro. Segundo a Academia Nacional de Cuidados Paliativos, em 2018, dentre os mais de cinco mil hospitais no território nacional, apenas 150 deles possuiam uma equipe especializada em cuidados paliativos. Logo, é imprescindível que ações sejam realizadas e mais equipes sejam criadas para que não ocorra tal desamparo no momento da morte.

Portante, é mister que o Estado tome providências para solucionar o impasse. Para garantir a dignidade e a qualidade de vida para indivíduos com doenças graves ou terminais, urge que o Ministério da Saúde crie, por meio de regulamentações e estruturações físicas, funcionais e organizacionais, um programa que integre os cuidados paliativos na saúde básica a fim, também, de acompanhar as famílias mesmo após a morte dos pacientes. Somente assim, podemos evitar que pacientes como a mãe de Maggie sofram sem necessidade e tenham uma morte digna.