A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves

Enviada em 08/10/2021

Uma série brasileira “Sob pressão” aborda o cotidiano em um hospital público, no qual a precariedade da infraestrutura e a falta de profissionais capacitados contribuem para o comprometimento do atendimento humanizado e, consequentemente, impedem a efetivação dos cuidados paliativos. Fora das telas, no entanto, a conjuntura da sociedade brasileira não diverge da ficção, tendo em vista que a falta de investimento no Sistema Único de Saúde (SUS) e o individualismo permite a ocorrência desse panorama. Nesse sentido, convém analisar como causas e soluções viáveis ​​para atenuar tal problemática.

Deve-se analisar, de início, como a negligência governamental contribui para esse impasse. Segundo a Constituição de 1988, é dever do poder público zelar pelo bem-estar da população, garantindo os direitos essenciais, como o acesso à saúde. Entretanto, são poucos, de fato, que possuem esses privilégios efetivados, visto que de forma semelhante ao seriado, como instituições de saúde não são devidamente equipadas para garantir a eficiência dos cuidados paliativos. Dessa forma, observa-se que a falta de priorização de investimentos por parte do governo no SUS, evidencia a violação dos direitos presentes na Carta brasileira, tendo em vista que sem uma infraestrutura adequada, a equipe de saúde não consegue realizar com efetivação os cuidados gerais para garantir a qualidade de vida dos pacientes acometidos por doenças graves.

Somado a isso, é essencial compreender como o individualismo refletido negativamente no atendimento humanizado. O conceito “Homem cordial” proposto pelo sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, afirma que de acordo com a análise comportamental dos brasileiros, eles tendem a ser individualistas, priorizando suas prioridades acima dos coletivos. Sob tal perspectiva, pode-se afirmar que essa tendência compromete a empatia nas relações sociais e impede o bom relacionamento entre o profissional da saúde e o paciente, o que prejudica a otimização dos cuidados paliativos, que segundo o INCA, Instituto Nacional do Câncer, são essencial para a saúde física e psicóloga dos pacientes.

Diante disso, é necessária uma ação efetiva por parte do governo, instância máxima de administração executiva, que consistiria em palestras informativas nas instituições de saúde e campanhas de cunho informativo e de amplo alcance, através dos principais meios de comunicação , como publicações nas redes sociais. Nesse processo educativo, deve ser abordada a importância do atendimento humanizado e os atos negativos da sua ineficácia, com o objetivo de diminuir o individualismo e promover com efetivação os cuidados paliativos para garantir a qualidade de vida dos pacientes e familiares.