A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves

Enviada em 04/10/2021

Desde a Antiguidade, a saúde é um valor importantíssimo e a medicina surgiu para preservar esse bem, principalmente com enfoque na cura. No entanto, em casos de paciente com doenças terminais ou degenerativas, muitas vezes sem recuperação evidente, é preferível preservar o bem-estar e a dignidade do paciente, por meio dos cuidados paliativos, isto é, os meios utilizados para que o indivíduo viva seus últimos momentos sem dores e tendo sua vontade respeitada. Essa medida fundamental é barrada pela má formação dos profissionais de saúde nesse aspecto e seu foco na melhora do paciente, mesmo quando os tratamentos só trarão sofrimento, sem resultados.

Nesse contexto, é imprescindível que os cuidados paliativos devem ser utilizados em muitos casos e prezar pela integridade do paciente, de forma que tenha direito de escolher como quer lidar com sua doença e com seus últimos momentos. Contudo, essa é uma falha na grade curricular da maior parte dos profissionais de saúde, os quais não têm a atenção essencial para abdicar dos procedimentos padrões quando for precisa uma outra abordagem, ou seja, a necessidade atual do indivíduo. Nesse sentido, pode-se relacionar a pirâmide de Maslow, a qual ressalta os pontos mais cruciais para o ser humano, em que está não só a saúde, mas também o respeito, a socialização e a ausência de dores, pelos quais esse tipo de cuidado também responsabiliza-se.

Além disso, conforme os conceitos de Zygmunt Bauman, a sociedade hodierna vive na Modernidade Líquida, a qual tem como definição o individualismo e o imediatismo. Esse comportamento momentâneo tem influência no modo com que os profissionais de saúde e toda a sociedade lida com as doenças: apenas na perspectiva da cura imediata e eficaz. Entretanto, certas patologias não se encaixam nesse espectro, sem medidas eficientes. Por isso, a importância dos cuidados paliativos é tão significativa nesses casos, posto que é substancial a consideração com as escolhas do paciente, a amenização da dor e o contato com suas crenças e seus entes próximos, o que oferecerá um conforto e autonomia para decidir como deseja lidar com sua situação.

Portanto, para que os cuidados paliativos sejam levados em conta, é necessário que o Ministério da Saúde promulgue o projeto “Dignidade humana”, o qual consistirá na adição desse tema na grade curricular dos cursos para formar profissionais de saúde, bem como no desenvolvimento de simpósios e palestras dissertando sobre o assunto, por meio da internet e das aulas presenciais, com a participação de profissionais experientes e informados, a fim de que sejam graduados especialistas nesse assunto. Dessa forma, saberão o momento de lutar pela vida de seus pacientes, mas também quando é essencial o respeito das suas decisões e a priorização de seu bem-estar e dignidade.