A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves

Enviada em 05/10/2021

De acordo com o artigo 196 da Constituição Federal do Brasil, a saúde é um direito de todos e dever do Estado. Entretanto, é importante ressaltar que saúde não se aplica restritamente ao tratamento de doenças, tendo em vista a necessidade de garantir bem-estar pessoal aos portadores de doenças fatais — uma necessidade imprescindível para o paciente e à família —, algo que é pouco explorado na medicina atual. Assim, é possível afirmar que não só o descaso das instituições de saúde para com tópicos delicados como esse, mas também a morte sendo tratada como um tabu na sociedade brasileira fomentam o status quo contemporâneo do século XXI.

Inicialmente, é necessário dizer que a medicina contemporânea se preocupa no ato de curar doenças, e não em realmente amparar emocionalmente o paciente, tanto é que se discute muito sobre a humanização da medicina. Porém, saúde é um conceito amplo que abarca questões sociais, psicológicas e biológicas, sendo então papel indissociável da comunidade médica trabalhar para abarcar todas as vertendes de salubridade. A partir disso,  pacientes com doenças terminais não devem ser segregados à espera da morte, mas sim auxiliados para que consigam lidar da melhor forma possível com a enfermidade.

Ademais, outro tópico importante a se dizer tange à questão  da morte, a qual é um assunto evitado na grande parte da população não só brasileira, mas mundialmente. Por exemplo, no livro “Life After Life”, escrito por Dr. Moody, o autor afirma que o simples fato de se falar da mortalidade provoca o que ele define como aproximação do inevitável — o que muitas vezes  não é desejado, preferindo a vasta maioria ignorar como se isso atrasasse o fenômeno. A priori, sem um básico psicológico para tratar sobre a morte, isso afeta as esferas sociais da saúde, família e do próprio indivíduo, uma vez que este pode estar sujeito ao aparecimento de comorbidades potencialmente fatais, adquirindo um risco de segregação devido à escassez de diálogo sobre o tema da efemeridade da vida.

Destarte, é dever do Estado, no âmbito de ministérios atuantes, em consonância com as instituições de ensino, realizar a conscientização populacional por intermédio de palestras educativas e campanhas publicitárias acerca da necessidade de se falar sobre a mortalidade humana, com indicações de livros da literatura mundial que exaltem a fugacidade do tempo. Espera-se, com tudo isso, uma melhoria significativa não somente por parte das entidades de saúde, mas também da população em geral no que se refere ao tema.