A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves

Enviada em 13/10/2021

O livro “Histórias lindas de morrer”, de Ana Cláudia Quintana Arantes, conta, através do ponto de vista da própria autora enquanto médica em um hospital de cuidados paliativos, as histórias dos pacientes em estágio terminal e mostra a importância desse cuidado para que o indivíduo tenha uma morte digna e respeitosa. Sob essa perspectiva, o cuidado paliativo é um importante tratamento para aqueles que estão na fase final de suas vidas pois permite que o sujeito, medicado para não sentir dor e atenuar as consequências de sua doença, tenha tempo de despedir-se de seus familiares bem como os familiares possuem tempo para preparar-se para a partida daquela pessoa. Contudo, para que esse tipo de tratamento torne-se comum é necessário que a população seja melhor informada sobre o assunto.

Em primeira análise, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o desconhecimento é  um dos principais entraves para a inclusão total dos cuidados paliativos nos hospitais do país. Dessa maneira, é preciso que o Estado consiga informar claramente os cidadãos sobre as funções e ganhos advindos desse tratamento, para que assim que entre em discussão, as pessoas aceitem esses cuidados não o vendo como uma forma de eutanásia mas sim uma maneira de oferecer um melhor cuidado aqueles que estão com doenças potencialmente fatais.

Além disso, um dos principais eixos dos cuidados paliativos, dito pelo médico paliativista e geriatra André Junqueira, é a medida de conforto e dignidade, o qual consiste em medidas que respeitem a vontade do paciente, permitindo que ele decida, dentre as medidas cabíveis, o que gostaria ou não de fazer até chegar o dia de seu óbito. Assim, a importância disso está no fato de oferecer ao paciente dignidade e possibilidade de estar com sua família e pessoas que ama, aproveitando os dias que restam para ele, evitando exames e tratamentos invasivos que podem não trazer benefício.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas a fim de auxiliar na proliferação dos cuidados paliativos. Para isso, o Ministério da Saúde, em conjunto com o Ministério da Educação, deve, por meio da criação de uma lei a ser enviada a câmara dos deputados, criar a obrigatoriedade da conversa de médicos com os pacientes terminais e sua família sobre os cuidados paliativos, informando todos os benefícios acerca desse tratamento, estando os profissionais da saúde dispostos a ouvir e tirar todas as dúvidas que possam surgir. Com essas medidas, espera-se que o cuidado paliativo torne-se comum para oferecer conforto aqueles que sabem que vão falecer, os permitindo escolher a vida que querem ter até chegar o momento final.