A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves

Enviada em 06/10/2021

Uma característica dos autores do Romantismo é a apresentação da morte como solução para as mazelas da vida. Contudo, contrariamente ao movimento, a sociedade atual possui aversão e dificuldade para aceitar a morte.  À vista disso, nos casos terminais de doenças graves, as pessoas geralmente optam por procedimentos arriscados em detrimento dos cuidados paliativos que priorizam o bem-estar do paciente. Isto posto, esse subterfúgio deve ser estimulado pelos médicos. Assim, deve-se analisar a causa da incipiência da modalidade: estigmatização da cura e a importância dessa prática para relativizar o sofrimento da família e dos enfermos.

Sob esse viés, enfatiza-se que a romantização da cura na medicina impede a difusão dos cuidados paliativos. Nessa lógica, destaca-se o Juramento de Hipócrates que consiste no comprometimento do médico após a faculdade em aliviar a dor e o sofrimento das pessoas. Todavia, a medicina e a sociedade passaram a estigmatizar a cura das doenças, por exemplo, pacientes em estágios terminais, são submetidos a procedimentos invasivos com baixa probabilidade de eficácia que depreciam o bem-estar do ser em seu estágio final de vida.  Sendo assim, devido à romantização da cura em detrimento da atenuação do sofrimento, o juramento supradito é contraposto, ao passo que os cuidados paliativos que ofereceriam maior conforto ao enfermo e a família não são realizados da maneira correta.

Nesse cenário,  é necessário reforçar a importância desse zelo para a relativização do martírio. Desse modo, a música de Caetano Veloso, “Você Não Me Ensinou A Te Esquecer”, retrata a dificuldade do eu-lírico de prosseguir e aceitar a morte de um ente querido. Analogamente ao retrato do musicista, as pessoas não aceitam com facilidade o ciclo natural da vida. Por conseguinte, numa tentativa frustrada de reverter esse processo, a família opta pela realização de procedimentos arriscados. Dessa forma, salienta-se que os cuidados paliativos, como: tratamento dos sintomas, amparo mental e religioso ao enfermo e a família, contribuiria para amenizar a dura situação relatada pela canção e garantir o bem-estar do paciente em primeiro plano, de maneira oposta ao que ocorre com a romantização da cura.

Portanto, é mister que diligências sejam tomadas para solucionar essa problemática. Logo, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Conselho Federal de Medicina, alterar a base curricular de medicina para inserir uma disciplina de cuidados paliativos., a fim de romper com a estigmatização da cura. Para tal deve ser trabalhado nas aulas, por meio de exemplos práticos,  as situações terminais que necessitam dessa medida. Além disso, deverá ser trabalhada a conduta ética para conversar com os familiares, como vocabulário e linguagem corporal. Destarte, com o devido conhecimento e auxílio de outros profissionais, os cuidados paliativos serão estimulados, cumprindo com o juramento médico.