A importância dos cuidados paliativos para indivíduos com doenças graves
Enviada em 08/10/2021
Os cuidados palitaivos foram definidos pela Organização Mundial de Saúde, como ações que consistem na assistência promovida por uma equipe multidisciplinar, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida e aliviar o sofrimento do paciente diante de uma doença que ameaça a sua vida. No entanto, a ausência de políticas públicas voltadas a implantação desses cuidados, aliada ao desconhecimento dos profissionais de saúde acerca da sua existência, têm perpetuado o sofrimento de muitos pacientes portadores de doenças graves. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a omissão das autoridades governamentais em amenizar o padecimento de inúmeros brasileiros em estágio avançado de doenças incuráveis. Nesse sentido, segundo a Associação Nacional de Cuidados Paliativos, em 2019 havia mais de 190 serviços paliativistas no país, ou seja, número inexpressivo diante dos mais de 6.500 hospitais credenciados pelo Serviço Único de Saúde. Essa conjuntura, portanto, viola as prerrogativas estabelecidas pela Constituição Federal de 1988, de que todo brasilerio tem o direito de ser tratado com dignidade, inclusive durante a terminalidade da sua vida.
Ademais, é fundamental apontar a ausência de ensino sobre cuidados paliativos nos cursos de graduação em saúde como impulsionar do atual modelo de assistência médica no Brasil. Nesse contexto, reconhece-se que o atual estilo de formação dos profissionais tem priorizado as ações curativas, incluindo a prescição de medicamentos e procedimentos voltados à doença e negligencia a participação dos atores principais, que são os pacientes, nas tomadas de decisões. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater tais obstáculos. Para isso, é necessária a atuação conjunta dos Ministérios da Saúde e da Educação, por intermédio das universidades, em revisar o conteúdo programático dos cursos da área de saúde e incluir a disciplina de cuidados paliativos em suas cadeiras. Ao mesmo tempo, deve-se incentivar a especialização dos atuais graduados, concomitante à abertura de novos serviços paliativistas, a fim de mudar o cenário atual. Espera-se, assim, consolidar-se´uma sociedade mais uma humanizada, onde o cuidado esteja direcionado à promoção de conforto e dignidade àqueles que estão em fase terminal.